| Coincidências do mundo do samba: depois de um desfile (de qualidade questionável) em homenagem ao Boni e à Globo, a emissora limita ainda mais sua transmissão do desfiles das escolas de samba do Rio.
Faz parte da minha memória carnavalesca: todo ano, enquanto a Globo exibia o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, ouvia os familiares reclamando da qualidade da transmissão e sentindo saudades da TV Manchete. "A gente não vê todas as alas!" e "Eles mostram tudo muito rápido" eram os reclames mais frequentes.
O tempo passou e parece que há ainda mais motivos para reclamar. Nos últimos dias pelo menos duas notícias desanimaram aqueles que gostam de assistir aos desfiles pela TV (afinal, ir ao Sambódromo é caro demais): primeiro, a Globo decidiu que não irá transmitir o desfiles da campeãs; depois, informou que os desfiles das primeiras escolas no domingo e na segunda-feira (Viradouro e São Clementes, respectivamente) não serão exibidos ao vivo.
A questão do horário dos desfiles sempre foi um problema para a Globo, inclusive quando haviam 14 escolas no grupo especial a desfilar nos dois dias. Com as atuais seis escolas por noite, a LIESA (Liga Independente das Escolas de Samba) atendeu aos apelos da emissora e os desfiles passaram a começar mais tarde.
Há alguns anos, um acordo da Band com a Globo garantia a transmissão do desfile das campeãs. Entretanto, já no ano passado a emissora do Jardim Botânico optou pela transmissão através do canal Viva, na TV paga, o que não vai se repetir.
Para 2015, ao que parece a emissora resolveu falar "mais grosso". Decidiu o que vai transmitir ou não e ponto, sem acordo. O presidente da LIESA, Jorge Castranheira, diz que não tem o que fazer em relação à sua parceira. Será mesmo? Detentora dos direitos de transmissão com exclusividade, a Globo faz o que quer e não parece não ter medo da rejeição (já antiga) no mundo do samba.
O resultado pelo destrato da emissora talvez possa ser medido pela audiência: em 2014 a Globo registrou recorde negativo nos índices do IBOPE. Pudera. Apesar da escalação de Fátima Bernardes, e time de apresentadores e comentaristas carece de carisma e, principalmente, conhecimento sobre o samba, as escolas e os enredos.
2014 foi também o ano da
Democratizar a mídia dá samba
Se a homenagem não serviu para amolecer as decisões arbitrárias da TV Globo sobre a transmissão do carnaval, fica a pergunta: será mesmo que a emissora é parceira inquestionável do carnaval carioca e das escolas de samba?
Um projeto de democratização da comunicação passa, também, por valorizar e incentivar as práticas culturais tanto nacionais quanto regionais. Não basta apenas dar grande visibilidade, é preciso entender a importância da festa e tratá-la com o devido respeito.
O discurso frequente do "Use o controle remoto!" evidentemente não faz sentido.Primeiro porque a Globo abusa do seu poder econômico e tem monopólio sobre os direitos de transmissão e, principalmente, porque a audiência não é medida em todos os televisores. O que mudará, de fato, essa realidade é a regulação econômica do setor, capaz de desmontar monopólios, equilibrar o mercado e fortalecer o sistema público de comunicação.
Valorizar a televisão pública, ao que parece, é o caminho para resolver a pendência carnavalesca. Qualquer emissora privada tem interesse no lucro e pode colocá-lo à frente da vontade do público em assistir todos os desfiles das escolas de samba.
Na Argentina, para efeito de comparação, é TV pública quem detém os direitos de transmissão do futebol, mas libera o sinal para outras emissoras transmitam os jogos. Não está na hora da TV Brasil transmitir a outra paixão dos brasileiros?
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Em 2011, o blog Pra Escrever escreveu sobre isso em uma série intitulada "Futebol para todos: muito além do grito de gol".
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29.1.15
Sambistas na guerra pela democratização da mídia?
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2.9.14
Conquistamos um novo Brasil, mas o que ainda falta?
Depois de quase 12 anos de governos petistas, o Brasil avançou muito.
Temos a menor taxa de desemprego da história, uma política consistente de reajuste do salário mínimo sempre acima da inflação, quase 40 milhões de brasileiros que ascenderam à classe média entre muitas outras conquistas.
Apesar disso, os candidatos da oposição têm insistido que a inflação está descontrolada e que estamos em recessão econômica. Até aí, nenhuma novidade. Quem tem pouco a mostrar costuma recorrer a críticas mesmo que fora da realidade.
Outra acusação frequente à presidenta Dilma Rousseff vem da candidata do PV da Rede do PSB, Marina Silva. Segundo ela, Dilma não reconhece seus erros.
Bingo! Tá aí algo em que concordamos.
Está na hora da presidenta assumir que temos uma política muito atrasada de comunicação institucional. O governo gasta muito, mas gasta mal (mesmo que tenha aumentado o número de contratos com pequenos veículos contratados pela Secretaria de Comunicação, a Secom) e o resultado é que, na prática, o governo espera calado por anos enquanto a mídia tradicional destroça a opinião pública com um sentimento de crise que não simplesmente não existe.
Jornalismo pé-no-tomate
Jornalismo pé-no-tomate
Segundo dados do Ministério do Trabalho, somente no governo Dilma foram gerados mais de 5 milhões de empregos. Esse número é superior àquele alcançado pelo governo tucano: também cerca de 5 milhões de empregos, mas em oito anos de FHC (é só por isso que o Aécio não mostra o doutor na campanha?).
Apesar disso, o noticiário sobre o governo e a presidenta é negativo.
Analise com calma os dados coletados pelo Manchetômetro e confirme: em 2014, somente o Jornal Nacional dedicou 1 hora e 22 minutos para "notícias desfavoráveis" contra 3 minutos de "notícias favoráveis" sobre Dilma e seu governo.
Por outro lado, Aécio recebeu quase 8 minutos de noticiário positivo (mesmo em uma atuação cambaleante no Senado) e Eduardo Campos acumulava mais de 30 minutos de "reportagens neutras" no começo da corrida presidencial.
Todo mundo sabe que a audiência do JN definha ano após ano. O recorde negativo significa menos de 20 pontos no IBOPE nas edições mais recentes.
Todo mundo sabe que a audiência do JN definha ano após ano. O recorde negativo significa menos de 20 pontos no IBOPE nas edições mais recentes.
(Quem banca as pesquisas do IBOPE, amigo navegante?)
Veja aqui alguns números e a análise feita pelo Diário do Centro do Mundo, mas considere: será que a notícia do JN-o-telejornal-mais-importante-televisão-brasileira é diferente daquela vista na Globo News? É alternativa aos temas e análises feitos pela Folha de S. Paulo? Destoa das manchetes da Veja? A resposta é um grandioso não.
Fazendo parte do mesmo grupo midiático ou estando na "concorrência" (e haja aspas aí!), a linha editorial desses veículos, publicações e programas é a mesma. Mais ou menos aprofundada; mais ou menos conservadora; mas é a mesma.
Por aí dá pra entender os motivos de um governo que tem enfrentado os efeitos da maior crise da história do capitalismo com emprego, salário e inflação sob controle apresentar uma oposição tão consistente nesse discurso lunático. O que eles falam têm embasamento no noticiário, assim pensa o eleitor.
O resumo da história pode ser melhor compreendido nesse texto de Helena Sthephanowitiz, publicado no Blog da Helena da RBA, mas no geral fica entendido assim: "Segundo IBOPE, avaliação do governo Dilma sobe e maioria (76%) se diz satisfeita com a vida. E se 30% pensam que a economia vai mal, como pode 68% acharem que sua vida estará melhor em 2015?".
Não é preciso duvidar dos números para chegar aonde queremos. No dia a dia, as pessoas têm percebido a melhora de vida, mas quando recorrem aos meios de comunicação (que ainda gozam de credibilidade), têm um noticiário extremamente negativo.
Veja aqui alguns números e a análise feita pelo Diário do Centro do Mundo, mas considere: será que a notícia do JN-o-telejornal-mais-importante-televisão-brasileira é diferente daquela vista na Globo News? É alternativa aos temas e análises feitos pela Folha de S. Paulo? Destoa das manchetes da Veja? A resposta é um grandioso não.
Fazendo parte do mesmo grupo midiático ou estando na "concorrência" (e haja aspas aí!), a linha editorial desses veículos, publicações e programas é a mesma. Mais ou menos aprofundada; mais ou menos conservadora; mas é a mesma.
Por aí dá pra entender os motivos de um governo que tem enfrentado os efeitos da maior crise da história do capitalismo com emprego, salário e inflação sob controle apresentar uma oposição tão consistente nesse discurso lunático. O que eles falam têm embasamento no noticiário, assim pensa o eleitor.
O resumo da história pode ser melhor compreendido nesse texto de Helena Sthephanowitiz, publicado no Blog da Helena da RBA, mas no geral fica entendido assim: "Segundo IBOPE, avaliação do governo Dilma sobe e maioria (76%) se diz satisfeita com a vida. E se 30% pensam que a economia vai mal, como pode 68% acharem que sua vida estará melhor em 2015?".
Não é preciso duvidar dos números para chegar aonde queremos. No dia a dia, as pessoas têm percebido a melhora de vida, mas quando recorrem aos meios de comunicação (que ainda gozam de credibilidade), têm um noticiário extremamente negativo.
Não é preciso recorrer a nenhum tipo de manipulação para pensar em alternativas, mas fica a pergunta: o governo vai continuar errando e apoiando essa mídia?
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4.12.12
Após abrir o cofre, Globo cobra "juros de agiota" por valores pagos pelos direitos de transmissão
Informações publicadas no UOL, da autoria de Renan Prates.
Veja em http://va.mu/bRIu
Depois de firmarem contratos cedendo os direitos de transmissão por valores nunca praticados por aqui (inflacionando o mercado brasileiro com contratações caríssimas, por consequência, entre outras), os clubes de futebol receberam um chamado direto da direção da emissora que transmite o Campeonato Brasileiro em TV aberta com exclusividade.
Depois de firmarem contratos cedendo os direitos de transmissão por valores nunca praticados por aqui (inflacionando o mercado brasileiro com contratações caríssimas, por consequência, entre outras), os clubes de futebol receberam um chamado direto da direção da emissora que transmite o Campeonato Brasileiro em TV aberta com exclusividade.
Marcelo Campos Pinto, diretor do departamento de esportes da Globo, participou do Prêmio Craque do Brasileirão, realizado na noite desta segunda-feira (03) em São Paulo, e certamente causou mal-estar entre dirigentes e atletas com declarações nada amistosas para o clima da festa:
– A CBF, os clubes, os parceiros televisivos, todos têm o dever de fazer uma transmissão que não deixe nada a desejar para o primeiro mundo - disse ele mostrando profundo desconhecimento da geopolítica atual. "Primeiro mundo"? Em 2012?
Ele não parou por aí. Falou sobre o credenciamento "não tão organizado" para a prática do jornalismo de campo, aquele de entrevistar o jogador recém-saído de campo.
Ele não parou por aí. Falou sobre o credenciamento "não tão organizado" para a prática do jornalismo de campo, aquele de entrevistar o jogador recém-saído de campo.
– Temos a missão de fazer um credenciamento que permita a locomoção dos detentores de TV de forma clara e transparente, para que todo mundo cumpra o seu papel.
A Globo, auto intitulada defensora do jornalismo livre e da democracia, acha que o craque do time tem que dar preferência aos seus repórteres na hora da entrevista porque tem os direitos de transmissão dos jogos. Se o torcedor preferir acompanhar seu time pela rádio da concorrente, pode ficar sem ouvir o jogador. Pagou, levou? Nada democrático...
Por fim, falou em valores pagos. Aliás, essa é uma prática comum na direção da emissora quando esta quer demonstrar seu antigo apoio (?) e interesse no futebol brasileiro. Cifras são frequentemente divulgadas, mas daquele jeito Globo: diz quanto paga, não quanto ganha.
– A Globo vai investir mais de R$1,5 bilhão em competições de futebol no ano que vem.
– A Globo vai investir mais de R$1,5 bilhão em competições de futebol no ano que vem.
No contrato válido para o triênio 2011-2013, a Globo pagou aos clubes pelo Campeonato Brasileiro em pacotão (TV aberta, SporTV, pay-per-view, internet, celular e placas de publicidade no campo) algo em torno de R$1,5 bi - ou média de R$500 mi por ano. Segundo estimativas do mercado publicitário, só os contratos para a TV aberta rendem à emissora R$800 mi/ano.
Assim sendo, já que os valores são colocados como argumento, surge a pergunta: por que a Globo não pagou mais caro aos clubes pela exclusividade no credenciamento que quer impôr de graça? Por que exercer pressão sobre uma condição que consta no contrato?
Parece que a Globo resolveu fazer valer o inexistente direito adquirido por ter pago caro pelo futebol. É como agiotas que cobram o que sequer é permitido por lei.
Parece que a Globo resolveu fazer valer o inexistente direito adquirido por ter pago caro pelo futebol. É como agiotas que cobram o que sequer é permitido por lei.
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14.2.12
Entenda a polêmica entre FOX Sports, NET, Sky e o que isso significa para você, assinante e torcedor
Este blogueiro que vos escreve vem acompanhando a polêmica entre o novo canal de esportes para TV paga no Brasil, o FOX Sports, que detém os direitos de transmissão da Libertadores da América e as maiores operadoras do serviço (NET e Sky), que cada vez mais demonstram colocarem seus interesses à frente dos de seus assinantes.
Entenda o caso:
No Brasil, a legislação sobre comunicação é da década de 1960 - tempo em que nem mesmo a televisão aberta tinha presença maciça nos domicílios brasileiros, tampouco se pensava em internet, banda larga ou até mesmo em TV paga. Aqui vemos monopólios e casos de propriedade cruzada (quando um mesmo grupo ou pessoa controla rádios e televisões, por exemplo) ou ambos, como é visto em poucos lugares do mundo.
Até pouco tempo atrás, o maior grupo de comunicação do Brasil, as Organizações Globo, tinha: editoras de revistas (como Época) e livros, jornais (como O Globo), emissoras de rádio e televisão (TV Globo e Rádio Globo) e operadoras de TV paga (como NET e participação na Sky), além de produzir conteúdo para ela própria distribuir (são os canais Globo News, SporTV, Multishow e o Premiére Futebol Clube). Em 2004 a Embratel passou a ser investidora da NET e já em 2011 (com a nova lei da TV paga, 12.485/2011) a controlá-la.
Essa lei é um divisor de águas em um mercado de TV paga que é, ao mesmo tempo, superconcentrado (NET e Sky têm, juntas, 66,76% dos assinantes) e que cresceu mais de 70% em relação entre os anos 2009 e 2011. Afinal, porque essa lei é tão importante? "Apenas" porque permite a entrada do capital estrangeiro e amplia as possibilidades de investimentos das telefônicas visando aumentar a oferta de operadoras e pacotes e, assim, reduzir o preço do serviço. Mesmo tendo crescido tanto nos últimos anos, o mercado tem um potencial de crescimento bastante grande: a expectativa é chegar a 70% dos domicílios brasileiros.
Foi por esse mercado que a FOX Sports se interessou e pretende investir pelo menos 200 milhões de dólares. Como o canal deixou de revender à TV Globo e ao SporTV os direitos de transmissão dos jogos da Libertadores, as operadoras parecem ter respondido à altura: não vão transmitir o canal. As Organizações Globo seguem sendo sócias em 30% e 5% da NET e Sky, respectivamente.
Nota publicada no blog Radar on-line, de Lauro Jardim, dá a dimensão da briga:
Sky boicota todos os comerciais da FOX Sports em sua programação
A Sky resolveu boicotar a FOX Sports de vez. Toda vez que um canal FOX - seja ele o FX, Speed ou a própria FOX - exibe um comercial sobre a Libertadores, a operadora coloca uma vinheta muda em cima da propaganda.
Ontem a Sky já havia dado sinais de que partiria para a guerra: divulgou uma nota oficial incentivando os assinantes a pedir para a FOX colocar os jogos da Libertadores no Speed ou FX.
Sky e NET defendem-se dizendo que negociam com o novo canal, mas preferem não oferecer aos assinantes um aumento nas tarifas - insinuando que o canal esportivo esteja pedindo muito dinheiro.
O mais curioso nesse caso é que operadoras de menor porte e que estão há menos tempo no mercado correram e já apresentam a programação do canal. É o caso da Oi TV e da GVT - isso sem falar nas outras operadoras que também já fecharam (TVA, Telefônica, CTBC, RCA, Neo TV e Nossa TV). Segundo post do TV Esporte Blog a Via Embratel, terceira maior operadora do país, já fez teste internos, acertou detalhes do contrato com o FOX Sports e a estreia se dará muito em breve.
Liberdade de mercado - só garantida na Justiça
Quando o tema é garantia às liberdades de mercado da TV paga e Globosat e NET são protagonistas, o final da história é conhecido. Em 2007, depois de alguns anos de negociações e idas ao CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica, órgão vinculado ao Ministério da Justiça), a TVA conseguiu acordo e a Globosat passou a ser obrigada a vender seus canais para qualquer operador do mercado.
Saiba mais sobre o assunto aqui.
Produtora (via Globosat) e distribuidora (via NET e Sky) dos canais SporTV, a Globo se reservava no direito equivocado de simplesmente não vender seus canais a outras operadoras, tampouco negociá-los, obrigando os assinantes que quisessem optar por assistir, por exemplo, ao Brasileirão a assinar pacotes nas operadoras em que é sócia.
É desse jeito que os argumentos na NET e da Sky caem por terra. Antes de se preocupar com o custo do novo canal à conta dos assinantes, o que tem se passado, na realidade, é que as maiores operadoras querem preservar o canal da Globosat, que não mais transmite a Libertadores.
O mais curioso nesse caso é que operadoras de menor porte e que estão há menos tempo no mercado correram e já apresentam a programação do canal. É o caso da Oi TV e da GVT - isso sem falar nas outras operadoras que também já fecharam (TVA, Telefônica, CTBC, RCA, Neo TV e Nossa TV). Segundo post do TV Esporte Blog a Via Embratel, terceira maior operadora do país, já fez teste internos, acertou detalhes do contrato com o FOX Sports e a estreia se dará muito em breve.
Liberdade de mercado - só garantida na Justiça
Quando o tema é garantia às liberdades de mercado da TV paga e Globosat e NET são protagonistas, o final da história é conhecido. Em 2007, depois de alguns anos de negociações e idas ao CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica, órgão vinculado ao Ministério da Justiça), a TVA conseguiu acordo e a Globosat passou a ser obrigada a vender seus canais para qualquer operador do mercado.
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Produtora (via Globosat) e distribuidora (via NET e Sky) dos canais SporTV, a Globo se reservava no direito equivocado de simplesmente não vender seus canais a outras operadoras, tampouco negociá-los, obrigando os assinantes que quisessem optar por assistir, por exemplo, ao Brasileirão a assinar pacotes nas operadoras em que é sócia.
É desse jeito que os argumentos na NET e da Sky caem por terra. Antes de se preocupar com o custo do novo canal à conta dos assinantes, o que tem se passado, na realidade, é que as maiores operadoras querem preservar o canal da Globosat, que não mais transmite a Libertadores.
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22.1.12
A avaliação duvidosa e o medo do progresso
A Argentina de Cristina e Nestor Kirchner, responsáveis pelo crescimento econômico do país após anos do neoliberalismo de Menen, privatizações, desemprego em alta e inevitável crise que derrubou alguns presidentes, tem muito a ensinar aos brasileiros e demais países latinos no que se refere a regulação audiovisual e da comunicação.
Celebrada pelos sindicatos, intelectuais e movimentos sociais de lá, a Ley de Medios ainda é constantemente atacada pelos grupos de mídia dos hermanos como o Clarín - a Globo deles - e essas críticas têm eco aqui no Brasil, via PiG*.
São cada vez mais frequentes os artigos ou matérias sobre a perseguição que a "imprensa independente" (?) recebe do governo. Parece que os grupos de mídia por aqui têm medo da onda progressista que pode tomar conta da América Latina, mesmo o Brasil tendo avançado tão pouco nos últimos anos.
Imprensa independente de que quem, amigo navegante? - copiando Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada.
Independente do povo argentino e dos seus anseios, só se for. O que o Clarín representava por lá pode ser chamado de qualquer coisa, menos de independência.
Este blogueiro que vos escreve esteve em Buenos Aires no mês passado e conversou com muitos portenhos. A imensa maioria não somente reconhecia os êxitos do casal Kirchner, como também o apoiava. Nessa viagem pude, ainda, comprar o livro "Ley 26.522 - Hacia un nuevo paradigma en comunicación audiovisual" em que diversos artigos demonstram a importância e a grandeza de lei aprovada por lá em 2010 após amplo debate entre governo e sociedade civil.
Capa do livro organizado por Mariana Baranchuk e Javier Rodríguez Usé.
Retirado do site GenteBA.
No livro, o brasileiro Dênis de Morais expõe números que facilitam a vida dos que duvidam que o Clarín seja a "imprensa independente" da Argentina:
"o Clarín controla 31% da circulação dos jornais, 40,5% da TV aberta e 23,2% da TV paga"
Informação não pode ser negócio e, muito menos, negócio controlado por poucos.
Para aqueles que temem o progressismo que alguns países latinos estão conhecendo, a democracia não diz nada. Desmerecem o êxito Nestor, a inevitável eleição de Cristina (que colunista convidado do PiG classifica como "transferência do poder") e sua reeleição com 54% dos votos em novembro passado.
É chegada a hora do enfrentamento democrático verdadeiro, que vai além das eleições e exige igualdade. A Argentina já deu os primeiros passos. Chegou a hora de segui-los.
*O PiG (Partido da imprensa Golpista) é a denominação para toda a grande mídia brasileira, mais preocupada com o poder do que com a informação. A sigla foi criada e difundida pelo Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada.
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31.10.11
SÉRIE - Futebol para todos: muito além do grito de gol
2) Os contratos de transmissão no Brasil
Em 2011 os clubes brasileiros de futebol da Série A firmaram novo contrato de transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro com a TV Globo (leia-se: Globo, SporTV e Premiere Futebol Clube, o pague-para-ver) que vale para os anos de 2012 a 2014.
O contrato atual não corresponde às orientações e determinações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) do ano passado e, por isso, a assinatura estipulada para esse ano gerou expectativas, já que as emissoras interessadas (Record e Rede TV!, por exemplo) sentiram-se, enfim, protegidas e seguras para negociarem.
Um compromisso firmado entre o Cade, o Clube dos 13 (até então o representante dos clubes) e a própria Globo pôs fim à cláusula de preferência. Com ela a Globo mantinha o poder de oferecer os valores pela transmissão por último, o que sempre impedia a concorrência das demais emissoras e feria "a igualdade entre os concorrentes", conforme comunicado que você pode ver aqui.
Uma briga política nos bastidores do Clube dos 13 (C13) e da CBF (a Confederação Brasileira de Futebol) foi constantemente comentada e noticiada por jornalistas e blogueiros, indicando que nem sempre o interesse financeiro dos clubes esteve em primeiro lugar. Alguns dirigentes garantiam apoio total ao já isolado Fábio Koff (presidente do C13) enquanto a maioria já havia assinado com a Globo.
O acordo capitaneado pelo CADE representava maior liberdade e garantia econômica aos clubes, embora a imensa maioria estivessem/estejam presos a empréstimos feitos junto ao C13 e a antecipações de valores solicitados junto à Globo. Além disso, mesmo extremamente atrasado, o acordo finalmente deixava a disputa pelos direitos de transmissão mais justa. O blog do Juca Kfouri publicou a carta-convite recebida pelo SBT para participar do processo de escolha e nela, surgiram importantes novidades. Veja a carta neste post.
Uma das novidades era a preferência pela venda segmentada às diferentes mídias. Acreditava-se que fazendo leilões para diversos interessados os clubes arrecadariam mais.
Outro ponto, o mais importante, era que somente para a televisão aberta o C13 exigia R$500.000.000,00 por temporada (total de R$1,5 bi pelo triênio), valor já superior ao que a Globo havia pago pelo "pacotão" (TV aberta e fechada, pague-para-ver, Internet e telefonia móvel) das temporadas de 2009 a 2011: R$1,4 bi, segundo comunicado da própria emissora disponível aqui.
Por fim, a Record estava empenhada não apenas em pagar caro, mas também em usar o futebol para competir fortemente com a Globo: as transmissões dos jogos iriam para o horário nobre, batendo de frente com o Jornal Nacional e novela das nove.
Todo o esforço do C13 foi por água abaixo, pois a Globo optou por negociar diretamente com os clubes, o que foi inicialmente vantajoso para os grandes, mas parece alterar pouco a relação de dependência com a emissora dos Marinho. Segundo informações de Paulo Vinícius Coelho, o PVC, em seu blog no sítio da ESPN Brasil, os valores negociados clube a clube possibilitaram aumentos pontuais, mas que dificilmente cobririam o contrato do C13.
Os supostos valores são, segundo apuração da Folha de S. Paulo, de 43 para 100 milhões de reais para o Flamengo e de 21 para 55 milhões de reais para o Botafogo. Os dez maiores (supostos) contratos podem ser vistos nesse gráfico.
Todo a disputa, que teve a Rede TV! como única emissora a enviar proposta ao C13 após desistência da Record, foi até o mês de maio quando, enfim, a Globo já havia garantido novamente a compra do "pacotão".
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O blog Pra Escrever apresenta uma série de postagens sobre as negociatas e politicagens do futebol brasileiro, reunindo publicações e críticas recentes da imprensa.
1) O jogo em que Ricardo Teixeira é o capitão.
2) Os contratos de transmissão no Brasil.
3) A história se repete. Chegou a hora de aprender com os hermanos.
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1) O jogo em que Ricardo Teixeira é o capitão.
2) Os contratos de transmissão no Brasil.
3) A história se repete. Chegou a hora de aprender com os hermanos.
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26.10.11
SÉRIE - Futebol para todos: muito além do grito de gol
1) O jogo em que Ricardo Teixeira é o capitão
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O blog Pra Escrever apresenta uma série de postagens sobre as negociatas e politicagens do futebol brasileiro, reunindo publicações e críticas recentes da imprensa.
1) O jogo em que Ricardo Teixeira é o capitão.
2) Os contratos de transmissão no Brasil.
3) A história se repete. Chegou a hora de aprender com os hermanos.
Ricardo Teixeira concentra muito poder no futebol brasileiro, além de ser bastante próximo de nomes como o brasileiro João Havelange (presidente da FIFA de 1974 até 1998) e do suíço Joseph Blatter (sucessor de Havelange, com mandato até 2015).
Presidente da CBF há 22 anos, Ricardo Teixeira tem mandato até 2014 (ano da Copa no Brasil) e planos de presidir a FIFA a partir de 2015. Além disso, acumula o cargo de presidente do Comitê Organizador da Copa no Brasil (em que sua filha é a diretora-executiva). É ele que tem decidido junto das autoridades brasileiras o destino de bilhões de reais na construção dos estádios, por exemplo.
Embora tenha garantido em texto publicado na Folha de S. Paulo que a Copa no país do futebol seria bancada quase que integralmente pela inciativa privada, não há como negar a importância dos investimentos de governos municipais, estaduais e, principalmente, do governo federal. Há números que falam em mais de 98% da conta paga pelo dinheiro do contribuinte - o nosso.
A relação entre público e privado, como se vê, é bastante complexa na cabeça de Teixeira. Na bela reportagem da revista Piauí publicada em julho e assinada por Daniela Pinheiro (leia aqui), ele esbraveja: "Que porra as pessoas têm a ver com as contas da CBF? Que porra eles têm a ver com a contabilidade do Bradesco ou do HSBC? Isso tudo é entidade pri-va-da. Não tem dinheiro público, não tem isenção fiscal. Por que merda todo mundo enche o saco?".
Grande leviandade! A FIFA, para garantir seu lucro (estimado em 4,6 bilhões de dólares por mundial) e o de seus parceiros faz as mais variadas imposições. Entre elas, a isenção fiscal para todas as atividades que envolvam a Copa de 2014. A lógica é simples: para ser investigada, a Copa, a FIFA e a CBF são entidades privadas; para receberem dinheiro público são parceiras do governo brasileiro.
Mesmo que não falemos em uso de dinheiro público (o que não é o caso da CBF e da Copa, que se confundem na pessoa de Ricardo Teixeira), as empresas têm regras e leis a respeitar e detalhes a fornecer a diversos órgãos.
Ainda à revista Piauí, Teixeira deixou claro que o poder que ele concentra justifica qualquer arbitrariedade e retaliação. Diversos jornalistas e publicações são seus inimigos, seja abertamente declarado ou através das dezenas de processos abertos por ele (só contra Juca Kfouri já foram cinquenta): "É tudo coisa da mesma patota, UOL, Folha, Lance, ESPN, que fica repetindo as mesmas merdas". "Merdas" foi a palavra escolhida para resumir as denúncias de corrupção e enriquecimento ilícito.
Toda essa indiferença se completa com uma segurança inabalável: "só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional". Nesse ponto Ricardo Teixeira parece ter um pouco de razão. O maior grupo de comunicação do país costuma ser mais fiel aos seus interesses comerciais, como garantir as transmissões dos jogos do Campeonato Brasileiro e da Seleção, do que aos assuntos que correm o mundo. A TV Globo preferiu blindar o presidente da CBF em rara entrevista durante o processo eleitoral da FIFA, enquanto toda a imprensa esportiva mundial repercutia denúncias sobre pedido de propina em troca de apoio à candidatura da Inglaterra para a Copa de 2018.
Não são poucas as histórias de bastidores que vêm a público sobre demonstrações de força, ora por parte da Globo, ora por parte de Ricardo Teixeira. A mais emblemática, entretanto, é de 2001, quando o Congresso brasileiro fazia a CPI da Nike. Em um Globo Repórter (veja abaixo, em quatro partes), a emissora questionou o patrimônio de dirigentes, entre eles Teixeira, em comparação a seus rendimentos. A resposta foi rápida: o clássico Brasil x Argentina foi repentinamente remarcado para as 19h45. "Pegava duas novelas e o Jornal Nacional. Você sabe o que é isso?", revelou o nome forte do futebol brasileiro na mesma entrevista à Piauí.
A inevitável pergunta é: os rumos do esporte mais praticado e assistido do Brasil está nas mãos da pessoa certa? Ao que tudo indica, não. Ricardo Teixeira usa a CBF para demonstrar e ampliar sua influência, sem medo, e com constantes ameaças.
Fora das quatro linhas - para não dizer que também dentro delas - o que menos importa é o futebol. O capitão Ricardo Teixeira quer mesmo é levantar a taça de poderoso.
A inevitável pergunta é: os rumos do esporte mais praticado e assistido do Brasil está nas mãos da pessoa certa? Ao que tudo indica, não. Ricardo Teixeira usa a CBF para demonstrar e ampliar sua influência, sem medo, e com constantes ameaças.
Fora das quatro linhas - para não dizer que também dentro delas - o que menos importa é o futebol. O capitão Ricardo Teixeira quer mesmo é levantar a taça de poderoso.
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O blog Pra Escrever apresenta uma série de postagens sobre as negociatas e politicagens do futebol brasileiro, reunindo publicações e críticas recentes da imprensa.
1) O jogo em que Ricardo Teixeira é o capitão.
2) Os contratos de transmissão no Brasil.
3) A história se repete. Chegou a hora de aprender com os hermanos.
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