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2.9.14

Conquistamos um novo Brasil, mas o que ainda falta?

Depois de quase 12 anos de governos petistas, o Brasil avançou muito.

Temos a menor taxa de desemprego da história, uma política consistente de reajuste do salário mínimo sempre acima da inflação, quase 40 milhões de brasileiros que ascenderam à classe média entre muitas outras conquistas.

Apesar disso, os candidatos da oposição têm insistido que a inflação está descontrolada e que estamos em recessão econômica. Até aí, nenhuma novidade. Quem tem pouco a mostrar costuma recorrer a críticas mesmo que fora da realidade.

Outra acusação frequente à presidenta Dilma Rousseff vem da candidata do PV da Rede do PSB, Marina Silva. Segundo ela, Dilma não reconhece seus erros. 

Bingo! Tá aí algo em que concordamos. 

Está na hora da presidenta assumir que temos uma política muito atrasada de comunicação institucional. O governo gasta muito, mas gasta mal (mesmo que tenha aumentado o número de contratos com pequenos veículos contratados pela Secretaria de Comunicação, a Secom) e o resultado é que, na prática, o governo espera calado por anos enquanto a mídia tradicional destroça a opinião pública com um sentimento de crise que não simplesmente não existe.

Jornalismo pé-no-tomate


Segundo dados do Ministério do Trabalho, somente no governo Dilma foram gerados mais de 5 milhões de empregos. Esse número é superior àquele alcançado pelo governo tucano: também cerca de 5 milhões de empregos, mas em oito anos de FHC por isso que o Aécio não mostra o doutor na campanha?).

Apesar disso, o noticiário sobre o governo e a presidenta é negativo. 

Analise com calma os dados coletados pelo Manchetômetro e confirme: em 2014, somente o Jornal Nacional dedicou 1 hora e 22 minutos para "notícias desfavoráveis" contra 3 minutos de "notícias favoráveis" sobre Dilma e seu governo. 

Por outro lado, Aécio recebeu quase 8 minutos de noticiário positivo (mesmo em uma atuação cambaleante no Senado) e Eduardo Campos acumulava mais de 30 minutos de "reportagens neutras" no começo da corrida presidencial.

Todo mundo sabe que a audiência do JN definha ano após ano. O recorde negativo significa menos de 20 pontos no IBOPE nas edições mais recentes.

(Quem banca as pesquisas do IBOPE, amigo navegante?)

Veja aqui alguns números e a análise feita pelo Diário do Centro do Mundo, mas considere: será que a notícia do JN-o-telejornal-mais-importante-televisão-brasileira é diferente daquela vista na Globo News? É alternativa aos temas e análises feitos pela Folha de S. Paulo? Destoa das manchetes da Veja? A resposta é um grandioso não.

Fazendo parte do mesmo grupo midiático ou estando na "concorrência" (e haja aspas aí!), a linha editorial desses veículos, publicações e programas é a mesma. Mais ou menos aprofundada; mais ou menos conservadora; mas é a mesma.

Por aí dá pra entender os motivos de um governo que tem enfrentado os efeitos da maior crise da história do capitalismo com emprego, salário e inflação sob controle apresentar uma oposição tão consistente nesse discurso lunático. O que eles falam têm embasamento no noticiário, assim pensa o eleitor.

O resumo da história pode ser melhor compreendido nesse texto de Helena Sthephanowitiz, publicado no Blog da Helena da RBA, mas no geral fica entendido assim: "Segundo IBOPE, avaliação do governo Dilma sobe e maioria (76%) se diz satisfeita com a vida. E se 30% pensam que a economia vai mal, como pode 68% acharem que sua vida estará melhor em 2015?".

Não é preciso duvidar dos números para chegar aonde queremos. No dia a dia, as pessoas têm percebido a melhora de vida, mas quando recorrem aos meios de comunicação (que ainda gozam de credibilidade), têm um noticiário extremamente negativo.

Não é preciso recorrer a nenhum tipo de manipulação para pensar em alternativas, mas fica a pergunta: o governo vai continuar errando e apoiando essa mídia? 

 

24.8.14

O Brasil que conquistamos apareceu... na Globo!

A incrível história de Cícero, que precisava catar comida no lixo e hoje é médico formado: só força de vontade e dedicação bastam?
Cheguei há pouco em casa e peguei o finalzinho do "Esquenta!", apresentado pela Regina Casé. Apesar das críticas que já ouvi sobre os esteriótipos ali enfatizados, principalmente, gosto bastante de assistir e acompanhar os programas. Os temas, em geral, são divertidos, interessantes e ousados para um programa de domingo a tarde na TV aberta - e na Globo.

Uma das histórias mostradas hoje foi a de Cícero Batista. "Pobre, negro, favelado e faminto", segundo suas próprias palavras, é um dos 20 filhos que D. Izaltina teve. Já precisou catar comida no lixo - onde acabou encontrando livros que serviram para que ele se tornasse um leitor. No auge da entrevista, Cícero revelou outra superação: se tornou médico e quer se especializar em medicina espacial.

Essa é, no mínimo, uma belíssima história. Daquelas que servem de incentivo e podem motivar milhões pessoas pelo poder transformador que carrega. É de verdade e fala sobre superação, sobre chance de melhorar e superar obstáculos. Se fosse mostrada em um filme, seria daqueles dramas de fazer chorar.

E foi quase chorando que eu soube dessa história ontem, dia em que o "Esquenta!" não é exibido. Gostei muito de revê-la hoje, mas o impacto pelo ineditismo foi quando assisti ao programa eleitoral da presidenta Dilma Rousseff - de longe o melhor entre os candidatos à presidência da República, pois além de bem feito, tem projetos e conquistas consolidadas para mostrar. 

Cícero foi bolsista do ProUni e, por isso, pôde ter uma formação pela qual não conseguiria pagar. Sem dúvida, teve um direito garantido e respeitado, mas não podemos ver essa história de maneira tão simplória. Certamente a dedicação fez com que Cícero chegasse onde nem mesmo D. Izaltina imagiva (ela mesma disse: "Ainda penso que tô é sonhando!"), mas ele teve uma oportunidade.

Junto ao filho da D. Iziltina, existem milhões de brasileiros que fizeram ou fazem cursos técnicos, estudam em universidades ou campi novos e até estão fazendo graduação e pós-graduação no exterior através do Ciência sem Fronteiras. Para saber mais sobre essas conquistas, clique aqui e descubra o Brasil que conquistamos - site do Instituto Lula.

Isso sem falar na menor taxa de desemprego da história, na política de valorização do salário mínimo, nos quase 40 milhões de brasileiros que saíram da miséria, na inflação sob controle entre tantos outro números inquestionáveis e que fizeram o Brasil virar referência mundial em desenvolvimento. O discurso não pode ser esquecido: ainda temos muito a conquistar, mas não dá pra esquecer o que foi feito até aqui.  


1.4.13

A culpa é da Denise!

Quando decidi fazer vestibular para Geografia, muito já havia passado pela minha cabeça. É aquela história: tinha uns dezesseis anos, pouca noção de mundo, um monte de inseguranças... Estava tentando entrar na universidade pela segunda vez. Na tentativa anterior havia escolhido Ciências Sociais. Queria me especializar em/estudar Ciências Políticas. Na verdade, compreendi um tempo depois, queria mesmo era entender e mudar algumas situações dentro da política brasileira, aquela mais básica, a partidária. 

Nada acontece por acaso, dizem por aí, e o fato de não ter sido aprovado no meu primeiro vestibular me levou a excelentes aulas (de Geografia!) num curso preparatório. Aquilo que eu já estudava na escola (e achava que era enrolação do professor) estava sendo apresentado também no pré-vestibular e acabou sendo determinante na minha escolha pelo curso com que tive rápida identificação, Geografia. Acabei aprovado na UFF e entrando na universidade no segundo semestre de 2006.

Na política brasileira o ano de 2006 foi, no mínimo, agitado. As denúncias sobre o mensalão pegavam fogo e estampavam as capas dos jornais há meses. As revistas semanais insistiam em tratar do mesmo assunto: mensalão e demais denúncias de corrupção contra o governo Lula. Isso não seria ruim se não fosse com jeito de golpe - as revistas tratavam e repercutiam os assuntos da mesma forma: suposições, denuncismo, declarações não provadas etc. Lembro com clareza que meu interesse em acompanhar o cotidiano da politicagem brasileira acabou se esvaindo em meio às prioridades que o vestibular  e os primeiros períodos da universidade me impunham - tempos muito bons como calouro!

Embora não tivesse votado em Lula para sua eleição em 2002 por não ter 16 anos, fiz campanha e acompanhei emocionado sua posse em 2003. Já estava certo que meu primeiro voto para presidente seria dele, na sua reeleição. O "espetáculo do crescimento" da economia brasileira aconteceu mesmo e a melhora na qualidade de vida da população brasileira começou a ser impossível de não perceber e, principalmente, de não noticiar. O desemprego caía, o salário aumentava, algumas profissões começavam a sofrer os "apagões de mão-de-obra" e o Brasil crescia.

Os dados eram incontestáveis e a reeleição do presidente Lula (e seu projeto político) acabou sendo garantida - para o bem do povo brasileiro. A eleição foi dura. Lula precisava (re)pensar sua estratégia com enorme frequência porque o sem-graça e sem-ânimo Geraldo Alckmin (PSDB) tinha força e apoio infinitos vindos da imprensa conservadora e de elite brasileira.

O fato é que muitos anos se passaram desde que Lula tomou posse. 

O Brasil mudou (para melhor) num ritmo nunca visto. E, agora, enquanto Dilma colhe os frutos do seu governo e do projeto político que Lula encabeçou, algumas contestações começam a ser frequentemente irritantes. 

De uma hora para outra, o preço do dólar não é mais discutido e noticiado nos telejornais como se fosse o gravíssimo problema da economia brasileira. Em 2002, o "efeito Lula" (?) justificava a cotação da moeda estadunidense batendo a casa dos R$5.

De uma hora para outra, analisar o salário mínimo em dólares não é mais um bom parâmetro. Quando FHC saiu do poder, o salário mínimo brasileiro equivalia a uns US$70; hoje, vale mais de US$200. Em dez anos dos governos Lula-Dilma o salário mínimo saltou de R$240 para R$678 - um aumento de 280%.

De uma hora para outra, o número de universidades e escolas técnicas sendo criadas perdeu totalmente o seu valor. Foram centenas de novas escolas técnicas (214, mais precisamente) em todo o país e mais dezenas de novas universidades e campi.

De uma hora para outra, os mais de 30 milhões de brasileiros que ascenderam à classe média formam um número questionável, cheio de dúvidas. 

Quando a minha professora de Geografia lá na 5ª série, a Denise, falava sobre o Brasil e as classes sociais daqui, ela desenhava uma pirâmide e destacava a desigualdade que marcava nossa história. A maior parte da população ocupava a base e o topo era demasiadamente pequeno e restrito. 

Muitos anos se passaram. Eu deixei de ser aluno e passei a ser professor e sinto-me na obrigação de retratar um novo Brasil para os meus alunos, um país "em losango". Um Brasil com muitos problemas, é verdade, mas com importantes e incontestáveis avanços.

Não, eu não vou "querer mais" e fingir que não avançamos.

Sim, eu me orgulho do que o Brasil conquistou enquanto país nesses dez anos.

Há quem ache os avanços que eu listei aqui tímidos demais ou sem expressividade, mas desculpe... meu parâmetro é esse! Se você considera um equívoco, a culpa é da Denise que me fez entender e tentar mudar o Brasil dessa forma.


13.9.12

O mapa é dos votos, mas a regionalização é preconceituosa

A Folha vê o mundo somente pelo critério de classe?
Ao pensar e produzir um mapa, é importante estabelecer os critérios que servirão para dividir o espaço em regiões. 

Isso é Geografia pura e chama-se regionalização. Um mapa do Brasil pode ter um mesmo tema, mas a maneira de dividi-lo para que o mesmo possa ser interpretado é variado a depender dos critérios utilizados para o estabelecimento das regiões. 

Essa informação é importante para que possamos analisar a mais nova tentativa do jornal Folha de S. Paulo de explicar, a seu modo, o eleitorado e as vitórias petistas. Valendo-se do recurso cartográfico, um "videográfico" foi produzido e diz mostrar a evolução da votações na capital paulista, mas o conteúdo central é baseado num critério muito limitado: o nível de renda. Soma-se a isso as ideias de centro e periferia.

O vídeo explica inicialmente, que os bairros da cidade foram divididos segundo o nível de renda e, no mapa, aparecem em uma escala de verde. São usados, também, pontos de referência como o Parque do Estado, Represa Billings, Ibirapuera, Parque do Carmo entre outros. Dessa forma, a regionalização foi baseada apenas nos dados oficiais de renda.

Num segundo momento são mostradas os pontos em vermelho onde o PT foi eleito e em azul as áreas em que a "oposição" (PP, PSDB e DEM, segundo a análise da Folha) foi vitoriosa, ambos em primeiro turno. Os pontos foram lançados no mapa de acordo com eleições de âmbito municipal e nacional.

A primeira eleição analisada foi a para presidente em 1994, sendo intercalada pela eleição municipal seguinte, repetindo tal procedimento até o pleito presidencial de 2010. 

Mapa e poder
É valioso que o navegante perceba que a análise da Folha iniciada em 1994, por exemplo, já configura uma escolha de critério, assim como a opção por não mostrar os números das eleições estaduais.

Produzir um mapa sempre foi fonte de poder, pois trata-se de orientar uma informação. (E disso a Folha entende, amigo navegante...) 

Mais do que escolher as cores certas para compor a legenda, é preciso que seu autor analise todas as leituras possíveis do mapa e conclua se elas são coerentes.

Os dados utilizados pelo jornal são oficiais e não precisariam ser alterados, mas a forma como os mesmos são apresentados (ou escondidos) podem configurar manipulação por parte do autor.

Como analisar os votos sob o aspecto da renda?
É evidente que um estudo sobre os votos dos mais ricos e pobres de uma cidade como São Paulo é válido, mas a crítica que podemos fazer é que existem critérios mais completos que levam a conclusões mais amplas e tornam as conclusões dos leitores àquilo que realmente interessa.

A Folha deveria produzir um mapa menos baseado em questão de classe.

Este blogueiro que vos escreve acredita que boa parte do preconceito, resistência e intolerância e aos governos Lula e Dilma (e a seus eleitores) é baseado em mero preconceito de classe.
  
E o mapa de votos da Folha apenas sustenta tal preconceito. É como se ficasse provado quem são os responsáveis pela eleição do Nunca Dantes (como diz Paulo Henrique Amorim), por exemplo.

Sendo mais criteriosa e mais honesta com seus leitores, a Folha poderia completar o mapa de votos da capital paulista com o Índice de Desenvolvimento Humano ou mesmo dos bairros em que os moradores mais perdem tempo no transporte público.

O leitores perceberiam que o PT não vence mais facilmente na zonas de pobreza, mas mais do que isso. Usando mais critérios seria possível perceber que o PT vence nas áreas mais excluídas.

A "vida fácil" das eleições do PT na periferia é mais justificada pela carência de serviços públicos de qualidade e pelas conquistas recentes do povo mais pobre de São Paulo via Lula e Dilma do que por mera questão classista. 

O PT não é o partido dos pobres, mas daqueles melhoraram de vida nos últimos anos ou daqueles que acreditaram em outras propostas de poder.

A Folha falhou, mais uma vez. 
    

     

28.9.11

Na Copa, quem se interessa por uma imprensa livre?


O blog do Paulo Henrique Amorim, Conversa Afiada, trouxe uma boa notícia agora há pouco: "Dilma barra Teixeira em reunião com a FIFA". Essa é mais uma prova que desmonta a tese de presidente-ilha que o PiG* quer associar à Presidenta Dilma Rousseff. Este e muitos outros blogs já sabem que a Presidenta não é um fantoche ou um poste - como o presidente do IBOPE a classificou às vésperas da campanha eleitoral de 2010. 

Só aqui no Brasil o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, é respeitado. Em qualquer lugar do mundo onde a imprensa é verdadeiramente livre (sem rabo preso), ela atua fazendo investigações, indagando e buscando a verdade sobre o enriquecimento do "dono do futebol brasileiro", suas politicagens na FIFA e desmandos na Confederação Brasileira de Futebol. 

Por aqui, a maior emissora de televisão do país já é conhecida por noticiar investigações e fazer denúncias sobre atitudes de Ricardo Teixeira ou escondê-las quando lhe convém.  

A Copa 
Tem sido cada vez mais frequentes as tentativas de convencer a população brasileira de que a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 será vergonha nacional. Nada vai funcionar: não teremos estádios, os aeroportos entrarão em colapso,  seleções ficarão presas no trânsito das grandes cidades... Vai faltar bola e apito, como diz Paulo Henrique Amorim. 


As tentativas de instabilidade nas discussões sobre a Copa são muito comuns no meio futebolístico: "plantar" crises em um time e divulgar desentendimentos fazem parte das estratégias para os times adversários vencerem os favoritos.

Que lugar o PiG ocupa: o do favorito ou de quem planta crises?

*O PiG (Partido da imprensa Golpista) é a denominação para toda a grande mídia brasileira, mais preocupada com o poder do que com a informação. A sigla foi criada e difundida pelo Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada.

21.9.11

O Brasil bem representado na ONU



Pude acompanhar com imenso orgulho a primeira participação da Presidenta Dilma Rousseff em uma Assembleia Geral da ONU, a 66ª. Dilma foi direta em todos os assuntos tratados, evidenciando a crescente liderança regional e global do Brasil e o novo enfoque que o mundo precisa ter sob si mesmo.

Dilma, por exemplo, conseguiu resumir uma visão sensata sobre as insurgências populares árabes e a participação das grandes potências políticas e econômicas nesses processos:

"É preciso que as nações encontrem uma forma legítima e eficaz de ajudar as sociedades que clamam por reforma, sem retirar de seus cidadãos a condução do processo. Repudiamos com veemência as repressões brutais que vitimam populações civis. Estamos convencidos de que, para a comunidade internacional, o recurso à força deve ser sempre a última alternativa. A busca da paz e da segurança no mundo não pode limitar-se a intervenções em situações extremas."

Essa parte do discurso deixa claro que a independência dos países e seus cidadãos deve estar à frente de interesses econômicos e políticos pontuais de uma ou outra potência. Usar tais movimentos para alcançar determinados objetivos (que talvez não sejam os mesmo daqueles que se revoltam) é leviano, injusto e incoerente com os novos tempos da política mundial.

Dilma foi direta também ao tratar do tema Palestina. Primeiro lamentou não poder saudar a chegada do país ao parlamento; depois condicionou a tão desejada paz na região ao reconhecimento do estado palestino: "Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional."

A crise econômica inciou a participação da Presidenta. Dilma praticamente conclamou os governantes do mundo a unirem-se em torno de uma iniciativa legítima que possibilite a solução da crise: "Mais que nunca, o destino do mundo está nas mãos de todos os seus governantes, sem exceção. Ou nos unimos todos e saímos, juntos, vencedores ou sairemos todos derrotados".

Apesar do tom diplomático e subjetivo dessa parte do pronunciamento, a Presidenta cavou espaço para ser mais assertiva e mandar o recado àqueles que precisam ouvi-lo: a regulação do sistema financeiro, qualificado por Dilma como "fonte inesgotável de instabilidade".

Essa temática é de imensa importância e também bastante atual, uma vez que diversos países da Europa parecem ter chegado à conclusão de que impostos sobre as movimentações e ganhos especulativos são apenas uma parte daquilo que pode dar fim à crise e a vulnerabilidade dos países.

Soma-se a esse alerta outra parte importante do discurso: "Essa crise é séria demais para que seja administrada apenas por uns poucos países". Esse protagonismo que o Brasil anseia e ao mesmo tempo tem colocado nos últimos anos, sabe-se, não nasce com a eleição do Presidente Lula em 2002. Mas há de se reconhecer que se o caminho escolhido pelos brasileiros tivesse sido outro não teríamos condições de aproveitar tais mudanças na geopolítica mundial.

Sobre o tão desejado assento permanente no Conselho de Segurança da ONU (uma luta iniciada com o Presidente Lula e o então Ministro da Relações Exteriores Celso Amorim) também esteve presente na fala da Presidenta, que destacou a necessidade de tal Conselho refletir a realidade do nosso tempo (mais plural e menos polarizado), garantindo que o Brasil está pronto para assumir as responsabilidades como membro-permanente.

Por fim, Dilma (talvez sem querer) mandou um recado ao PiG* e àqueles que querem tornar vergonhosa a história de lutas da Presidenta:

- Como mulher que sofreu tortura no cárcere, sei como são importantes os valores da democracia, da justiça, dos direitos humanos e da liberdade.

O discurso completo da Presidenta Dilma Rousseff você pode ler aqui ou assistir em vídeo abaixo.



*O PiG (Partido da imprensa Golpista) é a denominação para toda a grande mídia brasileira, mais preocupada com o poder do que com a informação. A sigla foi criada e difundida pelo Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada.

15.9.11

O PiG e a presidente-ilha

Aquilo que o PiG qualifica como faxina não para. Pedro Novais pediu demissão nesta quarta-feira do Ministério do Turismo.

Não importa o nome dado, a verdade é que Dilma tem conseguido mais espaço em seu próprio governo quando impõe seu jeito fazer política.

Os jornais querem que acreditemos que ela é uma Presidenta-ilha: é a Dilma cercada de PMDB por todos os lados, mas ela é mais! E é aí que tem gente ficando preocupada...

A independência de Dilma em relação ao Presidente Lula sempre foi questionada pela oposição real (o PiG*) e pela oposição de parlamento (PSDB e DEMOs, por exemplo). Estamos no nono mês do primeiro ano do governo da Presidenta e a realidade é outra. Dilma está aprendendo a lidar com a situação de poder que tem e não abre mão de sua personalidade. Além disso o PiG já sabe que não é fácil manipular as vontades e decisões da Presidenta, ela é muito mais do que a candidata do Lula.

Dilma, por exemplo, colocou no lugar de Nelson Jobim ninguém menos do que Celso Amorim. O Escrevinhador Rodrigo Vianna tem detalhes da repercussão dessa decisão na Globo aqui. A direção de jornalismo quer, segundo Vianna, a todo custo "provar" ao seu público que a escolha foi errada e causa incômodo no meio militar; a repórter (cheirosa?) da Folha e agora comentarista da Globo News tem a quase-missão de ser a porta-voz dessa situação. (Nada surpreendente para quem era conhecida como defensora e principal receptora das informações dadas pelo ex-ministro).

A Presidenta, em entrevista ao "Fantástico" fez questão de dizer que não existe faxina. E mais: disse que a saída de Jobim não se deu da mesma forma que as demais.

Independente disso, quem ganha é o Brasil.

Sabemos que a cultura política do nosso país é mais forte do que alguns alfredos nascimentos ou pedros novais. A saída desses nomes não nos livra da má política e dos políticos profissionais. Não é a posição firme de Dilma contra essa politicagem barata por cargos que vai mudar de vez essa situação tão comum no Brasil há tanto tempo. Entretanto é inegável que tais posições firmes da Presidenta são necessárias e importantes.

Diziam que ao tomar posse, o primeiro grupo de ministros nomeados pelo presidente era o "dos sonhos" e que, com o passar do tempo, a política brasileira se encarregava de desmembrá-lo. Com Dilma será diferente: o ministério que terminará esse governo em 2014 será infinitamente superior ao que começou. Graças às vontades da Presidenta.

*O PiG (Partido da imprensa Golpista) é a denominação para toda a grande mídia brasileira, mais preocupada com o poder do que com a informação. A sigla foi criada e difundida pelo Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada.

17.8.11

Saiu melhor do que a encomenda


Ontem os telejornais da noite reproduziram diversas vezes o pronunciamento do ex-ministro dos transportes Alfredo Nascimento. Cacique do Partido da República (PR), ele tentou buscar um tom vitimizado para anunciar que seu partido não faz mais parte da base aliada do governo.

Além do discurso no Senado, repetiram-se também as reportagens que disseminavam o suposto descontentamento dos partidos que apoiam o governo Dilma.

Um dos trunfos da então candidata no segundo turno e da já empossada presidenta, a ampla maioria no Congresso parece ter começado a minar. Parece, na visão da grande mídia.

A presidenta já avisou que o combate à corrupção e as "faxinas" continuam, mas não será a mídia a responsável por pautar investigações, investigados e muito menos os "faxinados".

É aí que o PiG* treme.

Os sempre protagonistas passarão a ser aquilo que sempre deveriam ter sido: praticantes de um bom jornalismo.

Ser responsável por fazer a capa do jornal não significa determinar os esforços do governo em determinada época e assunto. Mídia é mídia, governo é governo.

E o PR, hein?!

A verdade é que a saída do PR, nessas condições, acabou por ser melhor do que a encomenda. Os votos dos seus deputados e senadores podem fazer falta, isso é incontestável. Mas é aqui que surge mais uma vez o pedido: não desista, presidenta!

Não podemos negar que a tal da governabilidade é necessária, mas essas situações parecem ter surgido para que tenhamos (nós, os brasileiros) a chance de expulsar, aos poucos, esse jeito vergonhoso de fazer política.

Analistas (do PiG* ou não) dizem que a insatisfação de partidos da base como PR e PMDB não se dão apenas por conta de demissões ou investigações nos ministérios. Dilma tem tentado, sem o sucesso que gostaria, segurar as emendas ao orçamento.

É a obra na estrada, a reforma de posto de saúde ou a construção de escola técnica capitaneada pelo deputado ou senador. Tais emendas ao orçamento garantem que o legislador se mantenha próximo ao eleitorado "fazendo algo".

À sociedade cabe o desafio, mais uma vez: mostrar a importância da competência e rechaçar a politicagem.

*O PiG (Partido da imprensa Golpista) é a denominação para toda a grande mídia brasileira, mais preocupada com o poder do que com a informação. A sigla foi criada e difundida pelo Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada.





8.7.11

À Presidenta Dilma

É quase consenso que o sistema política brasileiro (alianças em eleições, troca de votos no Congresso por emendas de deputados e senadores ao orçamento, distribuição de cargos em todas as esferas de governo, etc) está falido. Há, entretanto, uma atitude muito mais sensata e necessária do que apenas reclamar: fazer existir uma mudança nisso tudo.

Instituições - públicas ou não - não têm o poder da auto-regulação e da auto-reforma, cabendo à sociedade civil estar organizada sem demagogias para exigir mais ética e compromisso. A presidenta não pode ser culpada ou perseguida pelo fato de alguns ministros não terem nenhuma qualificação além de serem caciques de partidos da base de apoio ao governo. Governar é saber fazer concessões e escolher os avanços, embora notícias de bastidores (que não são publicadas pelo PiG) dão como certa a insatisfação de Dilma com o trabalho do ex-ministro dos Transportes e sua vontade em nomear alguém de perfil técnico.

O pedido que fica é simples: resista, presidenta! Imponha sua vontade sempre que possível e, quando não for viável, aprenda maneiras de contornar situações desse tipo. Avançar sempre é mais importante do que avançar muito, mas às vezes.

21.6.11

Novo Marco Regulatório e Plano Nacional de Banda Larga: sintetizando para entender do que precisamos.

Em países desenvolvidos como EUA e Inglaterra existem leis que impedem a criação de monopólios na área de comunicação ou propriedade cruzada (quando uma empresa ou pessoa é dono de jornais, revistas, TVs, portais de internet, etc). Além de existir, a lei é cumprida.

No Brasil, a situação é totalmente diferente. Exemplo: familiares ou laranjas são proprietários de emissoras de TV e rádio, controlados por políticos - o que já é proibido, mas não combatido.

O fato é que em nenhum país do mundo existe tamanha concentração dos meios de comunicação envolta por uma falsa capa democrática. Quando os que falam aos milhões de cidadãos são poucas famílias poderosas, não existe ambiente democrático de verdade. Daí surge a necessidade de um novo Marco Regulatório (um novo conjunto de leis) que reitere a busca por meios de comunicação mais democráticos e tenha punições e condições de combater com clareza aqueles que (há muito tempo) desrespeitam as leis previstas na Constituição de 1988.

E o que a banda larga e os blogs têm a ver com isso?

É na internet que diversos atores sociais ganham voz e podem encontrar espaço para serem informados sem parcialidade e manipulações. Em um mundo cada vez mais integrado através das tecnologias de comunicação, os blogs aparecem como alternativa aos telejornais, revistas, jornais e rádios de sempre - aqueles que são controlados por poucos.

O problema é que qualquer rede está sempre inacabada, sendo possível sua expansão. Embora a audiência dos blogs que tratem de assuntos importantes tenha crescido, como também cresceu o número de internautas, a maior parte do país não é coberta por um serviço de qualidade e barato.

Conclusão: tem muita notícia importante na rede, mas tem muito cidadão sem acesso a ela; pior: há uma série de fatos importantes acontecendo em todo o país, que passam em branco pela mídia tradicional (e concentrada) mas que poderiam ganhar o mundo se houvessem mais blogueiros independentes no país.

Não basta apenas desconcentrar os meios de comunicação do país. É preciso, com urgência, garantir que todo brasileiro tenha acesso a internet de alta velocidade, que funcione de verdade e seja barata. O Plano Nacional de Banda Larga proposto pela presidenta Dilma tem importantes ideias, mas que podem se perder caso as empresas de telecomunicações do Brasil - que são privadas - assumam a responsabilidade de expansão da banda larga.

Sem banda larga, não temos informação democrática de verdade. E sem informação de verdade não temos justiça social.

1.11.10



Alguém falou e a Veja acreditou.

A Veja acreditou e fez o Serra acreditar.

Como explicar, de maneira clara, que nem sempre a elite escreve a história?

Como a Veja e o PiG aceitarão que são os vencedores que escrevem a história e, nem sempre, eles são parte da vitória?

O Brasil pós-Lula não tem a cara de Serra.

A Veja e o PiG vão esconder, mas 56% dos votos válidos para uma "despreparada", "inexperiente", "sem carisma" e novata como Dilma não é pouco.

Foi uma vitória esmagadora.

Foi uma linda vitória.

Quanto ao Serra... "Uma vez calhorda, sempre calhorda" (PHA, do Conversa Afiada).

O Serra, você sabe, é o Homem sem Nenhum Caráter. E pode ser a próxima capa da Veja.
Tenho certeza que minhas próximas linhas serão menosprezadas por pessoas que, por sorte minha, as lerão.

Não quero pagar de visionário, mas não posso usar outras palavras nem fazer rodeios: que orgulho saber que Dilma foi eleita presidenta do Brasil! Que orgulho saber que vencemos após uma campanha suja, da qual nos vimos obrigados a fazer parte!

Quanto orgulho saber que, infelizmente, penso como poucos e não preciso de muitos motivos para mensurar que depois de Bachelet e Cristina K. a América Latina elegeu mais uma mulher para representá-la!

Dilma vai marcar a história brasileira não apenas por ser a primeira mulher a comandar o país mais importante da América Latina, embora a grande mídia desvalorize até isso. Essa mulher que foi eleita há poucas horas entrará para a história por sua competência e capacidade de surpreender os (já) incontáveis críticos.

Devo confessar: me apaixonei, sobretudo, pelo projeto político de Lula, representado por Dilma; depois Dilma acabou ganhando minha admiração. O divisor de águas foi ver quadros históricos do PT levantando a bandeira e colocando o broche da estrela vermelha no peito novamente, em apoio a ela.

Não admito que Dilma seja qualificada apenas como a "menos pior" e sinto pena dos que acreditam nisso. É questão de tempo e ela vai provar isso.

Dilma não tem (ainda) a mesma desenvoltura de Lula para falar com militantes ou jornalistas e causar impacto. Aliás - agora sim pagando de visionário - nem sei se seu papel é somente esse.

Dilma sabe bem o que faz e vai surpreender muita gente. Vai fazer mais do que esperam os críticos, os tucanos, os gabeiras, as marinas e os petistas. É questão de pouco tempo.

Dilma representa um avanço muito mais significativo do que alguns brasileiros podem entender nesse momento.

Enquanto escrevo, vejo uma matéria no site da Globo News (sim, eu assisto Globo) sobre o que pensam os búlgaros acerca de Dilma Rouseff. Quanta vergonha saber o quanto a mídia e alguns brasileiros são preconceituosos. Alguns búlgaros entrevistados demonstraram orgulho, sentimento que muitos brasileiros ainda não compartilham.

Mas eu sim - sendo visionário ou não.

28.10.10

Eu tenho medo da Regina Duarte

A imprensa brasileira não tem a obrigação de tratar de números da economia, muito menos de compará-los aos do governo passado. Entretando, não é correto esconder esses números visando beneficiar ou prejudicar um candidato.

Se a grande mídia no Brasil fosse independente, os avanços do governo Lula teriam sido ainda mais significativos e a eleição seria mais clara. E fácil.

O eleitor brasileiro de classe média - tido como bem informado e com nível intelectual superior ao dos que recebem Bolsa Família - não mensuram as grandes conquistas. Além disso, têm memória fraca.

Em 2002 Regina Duarte foi para a TV apoiar Serra. Em seu (vergonhoso) depoimento além de dizer ter medo do Lula, garantiu que se ele fosse eleito a inflação desenfreada voltaria, o país seria "instável" novamente e que o que a política internacional teria "muita pressão".

Oito anos se passaram e o país mudou. Veja algumas comparações nesse vídeo.



Nocaute.

O mundo dá voltas.

O público jamais esquecerá o papelão que Regina Duarte assumiu. Mesmo ela tendo muitos anos de carreira, ao digitar "regina duarte" na busca do YouTube o vídeo do medo é o que aparece no topo, com quase 200 mil exibições.

#ByeByeSerraForever

19.10.10

Essa notícia merece ser reproduzida aqui, diretamente do site oficial da campanha de Dilma Roussef.

Se Serra está com Malafaia e a CNBB, Dilma está com Chico, Niemayer, Fernando Morais, Boff e tantos outros.

Orgulho de Dilma desde já.


O Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, não escapou de seu destino. Fundado em 1966, foi palco da resistência à ditadura militar protagonizada pela classe artística e intelectual brasileira. No 18 de outubro de 2010, os personagens voltaram ao palco para mais um ato: resistir ao retrocesso dos tucanos. Com Dilma Rousseff, mestres da literatura e da música, artistas e filósofos defenderam a dignidade reconquistada, a reconstrução do Estado e a soberania nacional.

“É hora de unir nossas forças no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidária e soberana”, diz o manifesto de artistas e intelectuais pela eleição de Dilma.

Estava lá o arquiteto Oscar Niemeyer, com a sabedoria de quem tem um século de vida. Num canto do palco, Ziraldo. Ao seu lado, Hugo Carvana. Chico Buarque dominou a timidez para declarar seu apoio a Dilma, “mulher de fibra, com senso de justiça social”. Para o músico, o governo Lula não corteja os poderosos de sempre.

“Fala de igual para igual com todos. Nem fino com Washington, nem grosso com a Bolívia. Por isso, é respeitado no mundo inteiro como nunca antes na história desse país”, afirmou o criador de "A banda", arrancando risos da plateia. 

Deixa a Dilma me levar

Alcione, Margareth Menezes e Lecy Brandão foram as primeiras a chegar. Zeca Pagodinho não foi, mas mandou dizer que está com Dilma. Beth Carvalho empolgou e cantou: “Deixa a Dilma me levar, Dilma leva eu.”

O ex-ministro Marcio Thomaz Bastos levou um manifesto dos advogados. Ganhou um beijo de Dilma. As ausências da economista Maria da Conceição Tavares, do filósofo Frei Betto e da psicanalista Maria Rita Kehl foram sentidas, mas suas assinaturas estavam no manifesto.

Duro, o escritor Fernando Morais bateu nas privatizações feitas pelo PSDB. “Estou com a Dilma porque sou brasileiro e quero o Brasil nas mãos dos brasileiros. Eu sou contra a privatização canibal que esses tucanos fizeram e sei o mal que o José Serra pode fazer para o Brasil.”

Vencer a mentira

Mais suave, mas não menos contundente, o filósofo Leonardo Boff disse que o PSDB faz políticas ricas para os ricos e políticas pobres para os pobres. “A esperança venceu o medo. Agora, a verdade vai vencer a mentira.”

Eram tantos com Dilma, que o sociólogo Emir Sader comentou: “Uma pena o Maracanã estar em reforma.” Ele tem uma avaliação muito a respeito do que está em jogo no segundo turno. "A alternativa a Dilma é obscurantismo, a repressão, o caminho do fascismo", disse, se referindo aos tucanos do PSDB de José Serra.

A candidata à presidência reconheceu nos artistas e intelectuais presentes no ato político as músicas e os livros que marcaram sua vida. No discurso, falou do orgulho que sente das derrotas que sofreu. Ganhou, por outro lado, a capacidade de resistir.

“Quem perde, ganha uma grande capacidade de lutar e resistir. Disso, uma geração não pode abrir mão. Eu tenho muito orgulho das minhas derrotas, que fizeram parte da luta correta”, afirmou Dilma.

Seguir mudando

Hoje, Dilma se orgulha da transformação vivida pelo Brasil nos últimos oito anos. Pelo menos um tabu foi quebrado: era impossível crescer e distribuir renda. “Mudamos a trajetória deste país. Não foram mudanças pontuais.”

Uma delas, segundo a candidata, refere-se ao gasto social. “Hoje, o Estado dá subsídio direto para a população. Faz isso na casa própria e na luz elétrica”, ressaltou Dilma.

Para ela, as mudanças nos gastos sociais combinadas com a geração de emprego permitiram que 28 milhões de pessoas saíssem da pobreza. Mas Dilma quer mais: “O meu compromisso é erradicar a pobreza no Brasil. Ninguém respeita quem deixa uma parte de seu povo na miséria”.

Outro compromisso é dar a riqueza do pré-sal aos brasileiros e não entregá-la “de mão beijada” para as empresas estrangeiras. “Nós temos de ter memória. Também está em questão nesta eleição o que eles farão com o pré-sal”, alertou Dilma. Ela prometeu não errar. E decretou: “Mulher sabe, sim, governar.”

A plateia aplaudiu de pé o discurso de Dilma. Na saída, um jovem artista amador definiu: “Mais uma noite histórica no Casa Grande.”

18.10.10

A bomba está armada e a senha para explodí-la é Paulo Preto

Entenda o caso Paulo Preto:

Como dizia minha avó, quanto mais ele se abaixa mais ele mostra. Serra, o Homem sem Nenhum Caráter não tem mais para onde correr.

Quando a candidata Dilma citou o nome Paulo Preto no debate do 2º turno da Rede Bandeirantes, o alvoroço foi causado na plateia e nos bastidores do poder tucano como o Terra relatou:

"Integrantes do PSDB, preocupados com o cerco da imprensa a partir deste instante, prepararam uma saída à francesa do senador eleito Aloysio Nunes, que mantinha relações estreitas com Vieira de Souza. Minutos depois, o senador eleito deixou o estúdio e não retornou."

A íntegra da reportagem está aqui.

Paulo Vieira de Souza é chamado de Paulo Preto, inclusive pela cúpula tucana.

(Para o Serra, falar Paulo Preto é racista. Copiando Paulo Henrique Amorim, ele diz qualquer coisa.)

Há muitos motivos para que a preocupação na cúpula do tucanato seja grandiosa. Tal preocupação, espante-se, também chega às redações de grandes publicações brasileiras.

Capitaneada pela Polícia Federal, a operação Castelo de Areia indica em seu relatório final que a mega-construtura Camargo Correia fazia com frequência doações ilegais.

A Camargo Correia faz parte do consórcio responsável, em São Paulo, por obras do rodoanel entre outras. E a PF garante as provas que apontam proprinas a governistas do estado de São Paulo.

Paulo Petro, responsável pela empresa do governo do estado paulista Dersa (que cuida de obras grandes como o rodoanel), foi acusado pelos próprios tucanos de arrecadar antes do prazo legal, em nome do PSDB, cerca de 4 milhões de reais.

A denúncia não poderia ser feita pelo partido nem pelos doadores, segundo caciques do PSDB, pois foram doações ilegais.

As obras do rodoanel custaram cerca de 5 bilhões de reais. E Paulo Petro foi demitido, logo depois que Serra saiu do governo, pelo recém-empossado Albeto Goldman. O tucano Goldman já havia trocado e-mails com outros tucanos sobre os problemas que Preto poderia causar.

Mas o post gigante ainda não terminou.

A filha de Paulo Preto foi contratada pelo governo paulista como chefe de cerimônias do palácio de governo.

Serra, o Homem sem Nenhum Caráter, não conseguiu explicar tudo disso nem a Dilma no debate da Band e muito menos a imprensa.

Ele, que gosta de deixar claro nos programas de TV e nos debates que é democrático, classificou as perguntas sobre Paulo Preto de "pauta petista" e "factoide". Na mesma entrevista disse que não conhecia Paulo Preto.

No dia seguinte, após insinuações direcionadas a Serra e ao PSDB do homem-bomba, o Homem sem Nenhum Caráter classificou Preto como "muito competente".

Quando a Veja vai digitar a senha para detonar a bomba no colo do Serra?

16.10.10

Deus não é eleitor brasileiro

O Serra, você sabe: é o Homem sem Nenhum Caráter. E ele prova isso a cada dia da campanha eleitoral.

Depois de me fazer acreditar ter sido indiretamente o responsável por jogar na internet e-mails questionando a fé da candidata Dilma e sobretudo acusando-a de ser a favor do aborto, ele fez mais. Muito mais.

Primeiro, se calou no debate da Band para em seguida negar que sua mulher Mônica Serra tivesse andado pelas ruas de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, dizendo que Dilma é a favor de matar criancinhas. Ele mente e a prova está aqui.

Depois, sabendo que os votos dos conservadores e religiosos em Marina o levaram ao segundo turno ele aparece na TV falando em um Brasil que "está nascendo" e leva ao ar comerciais que mostram um parto. Mais sujo impossível? Não.

Serra nunca escondeu que sempre quis ser presidente. O que ele tem deixado claro é paga qualquer preço para isso e a prova é a entrevista de Sheila Ribeiro ao jornal Correio do Brasil. Ex-aluna de Mônica Serra, ela afirma que em uma de suas aulas a professora disse ter feito um aborto aos quatro meses. Leia a reportagem aqui.

O Serra é, definitivamente, o Homem sem Nenhum Caráter.

Agora, mais do que gastar as linhas desse blog com acusações e comparações entre a competência e honestidade de Serra e Dilma, uma reflexão mais do que necessária.

Deus pode ser brasileiro, mas tenho certeza de que seu título de eleitor não possa ser daqui. Não considero pertinente que nossos órgãos de imprensa e a sociedade como um todo aceitem que esses temas sejam tratados dessa forma numa campanha presidencial.

Existem questões importantes a serem colocadas. Uma delas é a de que o Presidente da República não governa sozinho. O fato de Dilma ou Serra garantirem que não irão propor a legalização do aborto não significa que a lei não irá existir. A Lei da Ficha Limpa serve de exemplo: iniciativa popular, ganhou a internet e foi aprovada por nossos deputados e senadores.

Além disso, acredito que tenhamos que deixar claro que fazer política é também fazer concessões. A minha ou a sua vontade não pode ser imposta a dos outros. Vivemos em uma democracia, não? Se Dilma, Serra, Marina ou qualquer outro candidato se mostra contra ou a favor do aborto cabe a nós, eleitores, avaliar propostas que envolvam outros assuntos. E sem pedir ajuda de Deus.

14.10.10

As eleições e a cara-de-pau do Serra na campanha têm me dado motivos suficientes para alimentar esse blog nos últimos dias. E, agora, (mais) uma opinião conservadora e preconceituosa me dá vontade de escrever aqui de novo.

Tudo o que eu escreveria por aqui pode ser melhor entendido com um excelente texto de Maria Rita Kelh, recém-demitida do jornal Estado de São Paulo, que declarou apoio a Serra. O jornal não não confirma, mas há claros indícios de que houve perseguição política.

Antes de colocar aqui o texto (que causou a demissão) dela, uma questão importante: a elite brasileira não está capacitada para falar do povo brasileiro. Não tem moral para isso.


Este jornal (Estado de S. Paulo) teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apóia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela presidência da república. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro. 

Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa esmola. 

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da bolsa-família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés-de-chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela bolsa-família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. 200 reais é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola. 

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador “Garapa”, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A bolsa família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém adquirida. 

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da bolsa família, que apesar de modesta, reduziu de 12 para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem idéia do quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de 200 reais? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou este efeito de “acumulação primitiva de democracia”. 

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas em seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do país. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano. 

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do país, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática , parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.


E ponto final.

12.10.10

O Zé Baixaria não pode reclamar que esteja sendo (des)qualificado como o Homem sem Nenhum Caráter.

Depois do programa da Dilma colocar no ar momentos em que a candidata trucidava o tucano no debate da Band, os nada competentes marqueteiros do Zé Pedágio resolveram fazer o mesmo, mas com um importante detalhe: usando de má fé e mentindo.

Num primeiro momento o programa defendeu a esposa de Serra (algo que o candidato não fez durante o debate). O problema é que não existe defesa para algo que, de fato, aconteceu. Mônica Serra disse que Dilma era a favor de matar criancinhas e a candidata jogou a sujeira pro meio da roda no último domingo. A matéria que denuncia a "campanha" da esposa de Serra está aqui.

Ainda usando da mentira (ou "mentíííra" como o Serra fala), a campanha do ex-chefe do Plano Nacional de Privatizações do Brasil teve a audácia de nomear "as privatizações do PT". Além disso, Serra aparece criticando a capitalização do Banco do Brasil na Bolsa de Nova Iorque. Pena que "esqueceram" de colocar a parte em que o Homem sem Nenhum Caráter afirma ser a favor da medida.

Você pode acompanhar o momento que não foi ao ar no programa do Serra no vídeo abaixo, a partir de 1 minuto e 28 segundos.



Ou seja: para fugir da imagem de terem sido os responsáveis pelas "privatarias" no Brasil, vale tudo. Até fingir que é contra algo que assumiu apoiar há dois dias.

Que vergonha!

11.10.10

Serra, o Homem sem Nenhum Caráter, não para de baixar o nível da campanha.

Ao ser colocado contra a parede por Dilma Roussef a respeito da boataria que tomou a internet e das declarações em uma "caminhada" feita por sua esposa em que ela afirmava que Dilma era a favor de matar criancinhas, ele não voltou atrás.

Primeiro, se fez de desentendido e disse "apoiar vítimas" de perseguição; depois voltou a questionar a fé da ministra. Pra mim, assinou todos os e-mail anônimos que ainda circulam pela grande rede.

Mas nada me pareceu tão absurdo quanto as palavras escolhidas pelo Zé Baixaria para explicar os ataques do PCC pelo estado de São Paulo em 2006. À época foram 280 ataques e quase 50 mortes. Qualificada por Dilma como rebelião, o candidato apenas disse que "não houve nada de rebelião, não houve nada assim... significativo".

É isso mesmo: nada de significativo os quase 300 ataques e as mortes dos militares envolvidos. Foi algo assim... tão sem significado que mereceu a produção de um documentário pelo canal Discovery Channel, que você pode acompanhar em cinco partes nesse vídeo:



Antes de votar, pense.

Update: erros gramaticais e falhas de digitação devidamente corrigidos.

5.10.10

Eleições de domingo

Mais do que falar sobre o segundo turno entre Dilma e Serra, o Candidato sem Nenhum Caráter, é preciso falar sobre o posicionamento da imprensa ao cobrir a reta final da campanha.

Serra apareceu para seus "militantes" como se tivesse vencido com larga vantagem. E o PiG fez a cobertura do mesmo jeito.

Estão superestimando os quase 20% de votos alcançados por Marina. A Traíra tem, de fato, seus méritos. Mas nem tudo é tão simples assim.

Dilma não precisa se preocupar com a "onda verde"; o debate sobre sustentabilidade não vai nortear o segundo turno; Serra, o Candidato sem Nenhum Caráter, ainda não tem o que comemorar.

A verdade é que Marina está sendo superestimada e o desempenho de Dilma subestimado.

Esqueceram as previões do PiG que garantiam que o Lula não ia transferir votos? Esqueceram que Dilma ia ter que batalhar muito para ir ao segundo turno com o Zé Pedágio?

É preciso deixar claro que os 20% de votos para Marina são mais deméritos da campanha de Dilma do que méritos do PV (o único Partido Verde do mundo de direita é o da Marina e do Gabeira).

Sem demagogia e preconceito: se a onda verde tivesse acontecido, o Zé Baixaria também teria perdido votos e não apenas Dilma.

Dilma perdeu votos dos quase-fanáticos religiosos, dos que acreditam em correntes de internet e da pseudo elite intelectual brasileira. Pseudo elite que caiu no papo do PiG de supor que ganhar no 1º turno é ser anti-democrático.

Agora, os intelectuais de Internet terão de engolir que o PV vai apoiar o Candidato sem Nenhum Caráter.

Não dá pra aceitar a "onda verde".

Dilma ganhou quase 47% dos votos válidos.

O Serra não tirou votos da Dilma.

O apoio da Marina não vai barrar a rejeição que o eleitor tem aos tucanos e ao Zé Pedágio.