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30.4.12

Folha, sem perceber, assume para quem escreve e fala

Separadas por quase 20 anos, as capas de "Veja" não escondem o que pensa e quer a revista sobre o Brasil .
Um dos maiores equívocos da falsa democracia da informação no Brasil é a obrigação de que os veículos de comunicação sejam imparciais em momentos/casos como as eleições, por exemplo, quando estão longe de verdadeiramente serem. Dessa forma, chega aos leitores, ouvintes, telespectadores e internautas a ideia de que os grandes grupos de mídia publicam aquilo que é verdadeiro, sem quaisquer intenções naquilo que acabara de se tornar notícia.

Em outras palavras: os veículos de comunicação daqui não assumem o que verdadeiramente pensam muito menos quais setores da sociedade representam.

Apesar do resgate de momentos históricos via mídia independente (ou mesmo via blogosfera) que escancaram o que verdadeiramente pensam os da elite midiática, o caminho ainda é longo. Não há como contestar: os maiores veículos de comunicação deste país tem claros posicionamentos políticos e ideológicos. Tentam (conseguindo muitas vezes) orientar a sociedade ao invés de de registrar aquilo que a mesma pensa e faz. É uma opção, simples assim.

Este blogueiro acredita que reler as manchetes dos maiores jornais e revistas do país nas últimas décadas é o mesmo que entender o que pensam as elites brasileiras sobre os mais diversos assuntos. Poucos são os trabalhos verdadeiramente preocupados com o desenvolvimento do Brasil e dos brasileiros e sua soberania.

Não é por acaso que a imprensa brasileira merece ser (des)qualificada como PiG*. Além de ser de baixíssima qualidade, o que vem sendo produzido nas maiores redações do Brasil pode levar a assinatura de um ou outro jornalista, mas tem objetivos sujos. Lula, por exemplo, quase sofreu processo de impeachtmen por causa do mensalão que ainda está para ser provado enquanto que as recentes denúncias sobre as privatizações na era FHC que ganharam o país com "A privataria tucana" mal apareceram nas páginas de jornais como Folha de S. Paulo e O Globo.

A Folha.com acaba de publicar um vídeo em que "mulheres da elite de São Paulo" dizem sentir-se traídas pelo "símbolo" no combate à corrupção, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM e atualmente sem partido). Tais mulheres são ridicularizadas pela reportagem (veja o vídeo e leia o texto aqui), em especial a líder delas, a psicanalista Maria Cecília Parasmo.

O problema (a Folha finge não percebê-lo) é que essas mulheres nada mais são do que o resumo dos leitores/assinantes fiéis dos veículos de comunicação mais conservadores do país. O discurso delas é baseado naquilo que os jornais e revistas publicam. Afinal, de onde tais senhoras tiraram que o senador Demóstenes, hoje vinculado ao contraventor Carlinhos Cachoeira era defensor da ética no país? Difícil saber, amigo navegante...  


Não são poucos os exemplos que poderiam ser aqui publicados provando ou, no mínimo, questionando aquilo que os poderosos da informação cismam em chamar de linha editorialNão existe imparcialidade naquilo que se publica e exibe. Cada foto, cada palavra, cada tema são escolhidos a dedo, visando um objetivo maior.

Recentemente, o Jornal do Brasil (JB) publicou editorial em que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), é qualificado como "exemplo de funcionário público", além de destacar a "excelente administração" do mesmo. Leia-o por completo aqui.

É claro que o dono do jornal e sua direção têm o direito de achar o mandato de Paes excelente, assim como teriam o de achá-lo muito ruim, mas, agora, os leitores assíduos e mais atentos podem saber que tudo aquilo que será produzido pelo JB no que tange a cobertura da prefeitura e as eleições municipais deste ano é tendendo a exaltar a figura do prefeito e sua candidatura. É um risco que a publicação corre: ter seus leitores dispensando as notícias parciais do Jornal do Brasil.

Este blogueiro prefere ler as notícias sabendo explicitamente a que interesses elas atendem e acredita que os demais leitores também prefiram assim.

Os jornais e revistas brasileiros não podem mais falar por quem não representam.

*O PiG (Partido da imprensa Golpista) é a denominação para toda a grande mídia brasileira, mais preocupada com o poder do que com a informção. A sigla foi criada e difundida por Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada.

23.1.12

A Justiça é cega ou somos nós que fechamos os olhos para ela?

A ministra do STF e corregedora do CNJ Eliana Calmon: "Há bandidos de togas". 
Fotos de divulgação

O sistema político brasileiro é composto pelos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, todos equivalentes e dependentes dos demais para que o Estado brasileiro funcione. Em outras palavras: devem trabalhar juntos, discutindo aquilo que for importante para o Brasil e para os brasileiros.

A imprensa - que desde os meus tempos de aluno do Ensino Fundamental e Médio é classificada como o quarto poder deste país - parece fazer questão de confundir tudo. Dá sinais indiretos de que destes poderes, apenas o Judiciário pode ser respeitado. Os "políticos" são naturalmente suspeitos e têm perante o senso comum uma péssima imagem, enquanto os juízes e demais membros do poder Judiciário os controlam e prezam, como ninguém, pelo cumprimento das leis. Há controvérsias. Há cada vez mais controvérsias.

É assim que o jornalismo declaratório ganha cada vez mais espaço nos jornais, revistas e grandes canais de televisão, causando alarde na política brasileira mesmo sem provar nada. Por outro lado a atuação dos juízes e magistrados não é questionada, como se estes fossem isentos de erros, negociatas e desvios de conduta.

Recentemente, Eliana Calmon, corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e sua atuação passaram a ser desqualificadas por colegas seus do Superior Tribunal Federal e associações de juízes. Frases polêmicas e posicionamentos radicais (na visão de poucos, mas poucos poderosos) têm causado discussões de naturezas muito variadas - e assim perdemos o foco daquilo que é mais importante: cobrar uma ação eficaz e independente dos órgãos do Judiciário brasileiro.

Não é difícil encontrarmos indícios de que a justiça tenha inúmeras vezes optado por ficado ao lado de quem pagou mais ou, no mínimo, de que interesses pessoais confundiram-se com o papel de homens públicos. Esses indícios são, para a ministra Calmon inaceitáveis e é assim ela parte para o enfrentamento e busca que os nomes de segunda instância e superiores deste país possam ser investigados por órgão independentes, quando for necessário.

- Os desembargadores não são investigados pela corregedoria. São os próprios magistrados, que sentam ao lado dele, que vão investigar.

Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) já repudiou diversas vezes as palavras e ações da ministra, acusando-a, inclusive, de ter praticado quebra de sigilo ilegalmente. A resposta veio rápida e a reclamação não pôde ter mais eco entre a sociedade:

- Só posso lamentar a polêmica, que é fruto da maledicência e irresponsabilidade da AMB, da AJuFe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), e da Anamatra (Asssociação dos Magistrados da Justiça do Trabalho), que mentirosamente desinformam a população ou informam com declarações incendiárias e inverossímeis.

E não parou por aí: quando chamada a explicar estas denúncias sobre investigação de funcionários do Judiciário e familiares, a ministra afirmou, pasme!, que 45% dos juízes do estado de São Paulo não declaram Imposto de Renda em 2009 e que em outro estado, no Mato Grosso do Sul, nenhum magistrado fez a declaração anual em 2009 e 2010.

Há algo de errado com a Justiça brasileira.

Vide a vergonhosa e violenta reintegração de posse do terreno onde se localiza a comunidade Pinheirinhos, em São José dos Campos (SP). Autorizada pela justiça paulista, mas considerada ilegal pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em virtude de acordo garantido pela justiça federal, já causou a morte de, pelo menos, uma criança de três anos. Há outras seis mortes ainda não confirmadas oficialmente, mas informadas pelos moradores locais.

A retirada à força de pelo menos 10 mil pessoas de suas residências já causaria indignação pelo fato de um direito básico da humanidade, a moradia, ter sido preterido pela garantia à propriedade privada. Entretanto, a justiça paulista - certamente não muito diferente dos demais estados - resolveu esquecer ou não perceber que a reintegração de posse foi solicitada pela massa falida de uma empresa do banqueiro ladrão Naj Nahas, preso pela operação Satiagraha da Polícia Federal.

Este blogueiro que vos escreve não pode provar, mas se mantém no direito de duvidar dos motivos que fizeram um juiz concordar com a retirada de milhares de famílias trabalhadoras em respeito à propriedade privada de um banqueiro corrupto.

Há algo de errado com a Justiça brasileira.   

31.10.11

SÉRIE - Futebol para todos: muito além do grito de gol

2) Os contratos de transmissão no Brasil

Em 2011 os clubes brasileiros de futebol da Série A firmaram novo contrato de transmissão dos jogos do Campeonato  Brasileiro com a TV Globo (leia-se: Globo, SporTV e Premiere Futebol Clube, o pague-para-ver) que vale para os anos de 2012 a 2014. 

O contrato atual não corresponde às orientações e determinações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) do ano passado e, por isso, a assinatura estipulada para esse ano gerou expectativas, já que as emissoras interessadas (Record e Rede TV!, por exemplo) sentiram-se, enfim, protegidas e seguras para negociarem. 

Um compromisso firmado entre o Cade, o Clube dos 13 (até então o representante dos clubes) e a própria Globo pôs fim à cláusula de preferência. Com ela a Globo mantinha o poder de oferecer os valores pela transmissão por último, o que sempre impedia a concorrência das demais emissoras e feria "a igualdade entre os concorrentes", conforme comunicado que você pode ver aqui.

Uma briga política nos bastidores do Clube dos 13 (C13) e da CBF (a Confederação Brasileira de Futebol) foi constantemente comentada e noticiada por jornalistas e blogueiros, indicando que nem sempre o interesse financeiro dos clubes esteve em primeiro lugar. Alguns dirigentes garantiam apoio total ao já isolado Fábio Koff (presidente do C13) enquanto a maioria já havia assinado com a Globo. 

O acordo capitaneado pelo CADE representava maior liberdade e garantia econômica aos clubes, embora a imensa maioria estivessem/estejam presos a empréstimos feitos junto ao C13 e a antecipações de valores solicitados junto à Globo. Além disso, mesmo extremamente atrasado, o acordo finalmente deixava a disputa pelos direitos de transmissão mais justa. O blog do Juca Kfouri publicou a carta-convite recebida pelo SBT para participar do processo de escolha e nela, surgiram importantes novidades. Veja a carta neste post.

Uma das novidades era a preferência pela venda segmentada às diferentes mídias. Acreditava-se que fazendo leilões para diversos interessados os clubes arrecadariam mais.

Outro ponto, o mais importante, era que somente para a televisão aberta o C13 exigia R$500.000.000,00 por temporada (total de R$1,5 bi pelo triênio), valor já superior ao que a Globo havia pago pelo "pacotão" (TV aberta e fechada, pague-para-ver, Internet e telefonia móvel) das temporadas de 2009 a 2011: R$1,4 bi, segundo comunicado da própria emissora disponível aqui.

Por fim, a Record estava empenhada não apenas em pagar caro, mas também em usar o futebol para competir fortemente com a Globo: as transmissões dos jogos iriam para o horário nobre, batendo de frente com o Jornal Nacional e novela das nove.

Todo o esforço do C13 foi por água abaixo, pois a Globo optou por negociar diretamente com os clubes, o que foi inicialmente vantajoso para os grandes, mas parece alterar pouco a relação de dependência com a emissora dos Marinho. Segundo informações de Paulo Vinícius Coelho, o PVC, em seu blog no sítio da ESPN Brasil, os valores negociados clube a clube possibilitaram aumentos pontuais, mas que dificilmente cobririam o contrato do C13.

Os supostos valores são, segundo apuração da Folha de S. Paulo, de 43 para 100 milhões de reais para o Flamengo e de 21 para 55 milhões de reais para o Botafogo. Os dez maiores (supostos) contratos podem ser vistos nesse gráfico.

Todo a disputa, que teve a Rede TV! como única emissora a enviar proposta ao C13 após desistência da Record, foi até o mês de maio quando, enfim, a Globo já havia garantido novamente a compra do "pacotão".

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blog Pra Escrever apresenta uma série de postagens sobre as negociatas e politicagens do futebol brasileiro, reunindo publicações e críticas recentes da imprensa.

1) O jogo em que Ricardo Teixeira é o capitão.
2) Os contratos de transmissão no Brasil.
3) A história se repete. Chegou a hora de aprender com os hermanos.   

26.10.11

SÉRIE - Futebol para todos: muito além do grito de gol

1) O jogo em que Ricardo Teixeira é o capitão

Ricardo Teixeira concentra muito poder no futebol brasileiro, além de ser bastante próximo de nomes como o brasileiro João Havelange (presidente da FIFA de 1974 até 1998) e do suíço Joseph Blatter (sucessor de Havelange, com mandato até 2015).

Presidente da CBF há 22 anos, Ricardo Teixeira tem mandato até 2014 (ano da Copa no Brasil) e planos de presidir a FIFA a partir de 2015. Além disso, acumula o cargo de presidente do Comitê Organizador da Copa no Brasil (em que sua filha é a diretora-executiva). É ele que tem decidido junto das autoridades brasileiras o destino de bilhões de reais na construção dos estádios, por exemplo.

Embora tenha garantido em texto publicado na Folha de S. Paulo que a Copa no país do futebol seria bancada quase que integralmente pela inciativa privada, não há como negar a importância dos investimentos de governos municipais, estaduais e, principalmente, do governo federal. Há números que falam em mais de 98% da conta paga pelo dinheiro do contribuinte - o nosso.

A relação entre público e privado, como se vê, é bastante complexa na cabeça de Teixeira. Na bela reportagem da revista Piauí publicada em julho e assinada por Daniela Pinheiro (leia aqui), ele esbraveja: "Que porra as pessoas têm a ver com as contas da CBF? Que porra eles têm a ver com a contabilidade do Bradesco ou do HSBC? Isso tudo é entidade pri-va-da. Não tem dinheiro público, não tem isenção fiscal. Por que merda todo mundo enche o saco?".

Grande leviandade! A FIFA, para garantir seu lucro (estimado em 4,6 bilhões de dólares por mundial) e o de seus parceiros faz as mais variadas imposições. Entre elas, a isenção fiscal para todas as atividades que envolvam a Copa de 2014. A lógica é simples: para ser investigada, a Copa, a FIFA e a CBF são entidades privadas; para receberem dinheiro público são parceiras do governo brasileiro.

Mesmo que não falemos em uso de dinheiro público (o que não é o caso da CBF e da Copa, que se confundem na pessoa de Ricardo Teixeira), as empresas têm regras e leis a respeitar e detalhes a fornecer a diversos órgãos.

Ainda à revista Piauí, Teixeira deixou claro que o poder que ele concentra justifica qualquer arbitrariedade e retaliação. Diversos jornalistas e publicações são seus inimigos, seja abertamente declarado ou através das dezenas de processos abertos por ele (só contra Juca Kfouri já foram cinquenta): "É tudo coisa da mesma patota, UOL, Folha, Lance, ESPN, que fica repetindo as mesmas merdas". "Merdas" foi a palavra escolhida para resumir as denúncias de corrupção e enriquecimento ilícito.

Toda essa indiferença se completa com uma segurança inabalável: "só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional". Nesse ponto Ricardo Teixeira parece ter um pouco de razão. O maior grupo de comunicação do país costuma ser mais fiel aos seus interesses comerciais, como garantir as transmissões dos jogos do Campeonato Brasileiro e da Seleção, do que aos assuntos que correm o mundo. A TV Globo preferiu blindar o presidente da CBF em rara entrevista durante o processo eleitoral da FIFA, enquanto toda a imprensa esportiva mundial repercutia denúncias sobre pedido de propina em troca de apoio à candidatura da Inglaterra para a Copa de 2018.

Não são poucas as histórias de bastidores que vêm a público sobre demonstrações de força, ora por parte da Globo, ora por parte de Ricardo Teixeira. A mais emblemática, entretanto, é de 2001, quando o Congresso brasileiro fazia a CPI da Nike. Em um Globo Repórter (veja abaixo, em quatro partes), a emissora questionou o patrimônio de dirigentes, entre eles Teixeira, em comparação a seus rendimentos. A resposta foi rápida: o clássico Brasil x Argentina foi repentinamente remarcado para as 19h45. "Pegava duas novelas e o Jornal Nacional. Você sabe o que é isso?", revelou o nome forte do futebol brasileiro na mesma entrevista à Piauí.

A inevitável pergunta é: os rumos do esporte mais praticado e assistido do Brasil está nas mãos da pessoa certa? Ao que tudo indica, não. Ricardo Teixeira usa a CBF para demonstrar e ampliar sua influência, sem medo, e com constantes ameaças.

Fora das quatro linhas - para não dizer que também dentro delas - o que menos importa é o futebol. O capitão Ricardo Teixeira quer mesmo é levantar a taça de poderoso. 







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blog Pra Escrever apresenta uma série de postagens sobre as negociatas e politicagens do futebol brasileiro, reunindo publicações e críticas recentes da imprensa.

1) O jogo em que Ricardo Teixeira é o capitão.
2) Os contratos de transmissão no Brasil.
3) A história se repete. Chegou a hora de aprender com os hermanos.






      

15.9.11

O PiG e a presidente-ilha

Aquilo que o PiG qualifica como faxina não para. Pedro Novais pediu demissão nesta quarta-feira do Ministério do Turismo.

Não importa o nome dado, a verdade é que Dilma tem conseguido mais espaço em seu próprio governo quando impõe seu jeito fazer política.

Os jornais querem que acreditemos que ela é uma Presidenta-ilha: é a Dilma cercada de PMDB por todos os lados, mas ela é mais! E é aí que tem gente ficando preocupada...

A independência de Dilma em relação ao Presidente Lula sempre foi questionada pela oposição real (o PiG*) e pela oposição de parlamento (PSDB e DEMOs, por exemplo). Estamos no nono mês do primeiro ano do governo da Presidenta e a realidade é outra. Dilma está aprendendo a lidar com a situação de poder que tem e não abre mão de sua personalidade. Além disso o PiG já sabe que não é fácil manipular as vontades e decisões da Presidenta, ela é muito mais do que a candidata do Lula.

Dilma, por exemplo, colocou no lugar de Nelson Jobim ninguém menos do que Celso Amorim. O Escrevinhador Rodrigo Vianna tem detalhes da repercussão dessa decisão na Globo aqui. A direção de jornalismo quer, segundo Vianna, a todo custo "provar" ao seu público que a escolha foi errada e causa incômodo no meio militar; a repórter (cheirosa?) da Folha e agora comentarista da Globo News tem a quase-missão de ser a porta-voz dessa situação. (Nada surpreendente para quem era conhecida como defensora e principal receptora das informações dadas pelo ex-ministro).

A Presidenta, em entrevista ao "Fantástico" fez questão de dizer que não existe faxina. E mais: disse que a saída de Jobim não se deu da mesma forma que as demais.

Independente disso, quem ganha é o Brasil.

Sabemos que a cultura política do nosso país é mais forte do que alguns alfredos nascimentos ou pedros novais. A saída desses nomes não nos livra da má política e dos políticos profissionais. Não é a posição firme de Dilma contra essa politicagem barata por cargos que vai mudar de vez essa situação tão comum no Brasil há tanto tempo. Entretanto é inegável que tais posições firmes da Presidenta são necessárias e importantes.

Diziam que ao tomar posse, o primeiro grupo de ministros nomeados pelo presidente era o "dos sonhos" e que, com o passar do tempo, a política brasileira se encarregava de desmembrá-lo. Com Dilma será diferente: o ministério que terminará esse governo em 2014 será infinitamente superior ao que começou. Graças às vontades da Presidenta.

*O PiG (Partido da imprensa Golpista) é a denominação para toda a grande mídia brasileira, mais preocupada com o poder do que com a informação. A sigla foi criada e difundida pelo Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada.

17.8.11

Saiu melhor do que a encomenda


Ontem os telejornais da noite reproduziram diversas vezes o pronunciamento do ex-ministro dos transportes Alfredo Nascimento. Cacique do Partido da República (PR), ele tentou buscar um tom vitimizado para anunciar que seu partido não faz mais parte da base aliada do governo.

Além do discurso no Senado, repetiram-se também as reportagens que disseminavam o suposto descontentamento dos partidos que apoiam o governo Dilma.

Um dos trunfos da então candidata no segundo turno e da já empossada presidenta, a ampla maioria no Congresso parece ter começado a minar. Parece, na visão da grande mídia.

A presidenta já avisou que o combate à corrupção e as "faxinas" continuam, mas não será a mídia a responsável por pautar investigações, investigados e muito menos os "faxinados".

É aí que o PiG* treme.

Os sempre protagonistas passarão a ser aquilo que sempre deveriam ter sido: praticantes de um bom jornalismo.

Ser responsável por fazer a capa do jornal não significa determinar os esforços do governo em determinada época e assunto. Mídia é mídia, governo é governo.

E o PR, hein?!

A verdade é que a saída do PR, nessas condições, acabou por ser melhor do que a encomenda. Os votos dos seus deputados e senadores podem fazer falta, isso é incontestável. Mas é aqui que surge mais uma vez o pedido: não desista, presidenta!

Não podemos negar que a tal da governabilidade é necessária, mas essas situações parecem ter surgido para que tenhamos (nós, os brasileiros) a chance de expulsar, aos poucos, esse jeito vergonhoso de fazer política.

Analistas (do PiG* ou não) dizem que a insatisfação de partidos da base como PR e PMDB não se dão apenas por conta de demissões ou investigações nos ministérios. Dilma tem tentado, sem o sucesso que gostaria, segurar as emendas ao orçamento.

É a obra na estrada, a reforma de posto de saúde ou a construção de escola técnica capitaneada pelo deputado ou senador. Tais emendas ao orçamento garantem que o legislador se mantenha próximo ao eleitorado "fazendo algo".

À sociedade cabe o desafio, mais uma vez: mostrar a importância da competência e rechaçar a politicagem.

*O PiG (Partido da imprensa Golpista) é a denominação para toda a grande mídia brasileira, mais preocupada com o poder do que com a informação. A sigla foi criada e difundida pelo Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada.





8.7.11

À Presidenta Dilma

É quase consenso que o sistema política brasileiro (alianças em eleições, troca de votos no Congresso por emendas de deputados e senadores ao orçamento, distribuição de cargos em todas as esferas de governo, etc) está falido. Há, entretanto, uma atitude muito mais sensata e necessária do que apenas reclamar: fazer existir uma mudança nisso tudo.

Instituições - públicas ou não - não têm o poder da auto-regulação e da auto-reforma, cabendo à sociedade civil estar organizada sem demagogias para exigir mais ética e compromisso. A presidenta não pode ser culpada ou perseguida pelo fato de alguns ministros não terem nenhuma qualificação além de serem caciques de partidos da base de apoio ao governo. Governar é saber fazer concessões e escolher os avanços, embora notícias de bastidores (que não são publicadas pelo PiG) dão como certa a insatisfação de Dilma com o trabalho do ex-ministro dos Transportes e sua vontade em nomear alguém de perfil técnico.

O pedido que fica é simples: resista, presidenta! Imponha sua vontade sempre que possível e, quando não for viável, aprenda maneiras de contornar situações desse tipo. Avançar sempre é mais importante do que avançar muito, mas às vezes.

23.12.10

A autonomia do ludibriado

Tô tentando escrever aquilo que penso sobre a chegada das forças policiais no Complexo do Alemão e, principalmente, sobre o que os "intelectuais" pensam.

Longe de mim fazer julgamentos apenas por fazê-los, mas vamos a alguns ideia iniciais.

Com relação ao fato (a ocupação) e as análises (dos "intelectuais"), vivemos da seguinte forma: a mídia e parte da sociedade apoia e os "entendidos de um assunto qualquer" reprovam a qualquer custo.

Não quero falar sobre o papel do Estado nem sobre corrupção policial. Isso é pouco, embora seja importante. O que me faz escrever essas linhas é constatar um enorme preconceito por parte daqueles que criticam a ocupação, colocando sob os moradores que apoiam a ação a triste conclusão de que "estão sendo enganados pela mídia!".

O intelectual pode ter o maior dos projetos sociais no Alemão, visitar a favela apenas para comprar drogas ou nada disso, mas não importa. Ele não sabe o que é, de fato, ser favelado e viver aquela realidade. E na minha opinião não tem total capacidade para avaliar ou criticar a chegada das forças policiais.

Concluir que os moradores são apenas ludibriados por reportagens na TV e nos jornais é desmerecimento total daqueles que moram ali e são, em enorme maioria, pessoas de bem como sabemos. O fato é que no Brasil não há espaço para ações bem-sucedidas, ainda que essas ocupações não sejam exatamente bem-sucedidas.

Não podemos viver de extremos: de um lado apoio total e de outro críticas a rodo. Que pensamento pequeno! Reafirmo: os moradores dessas comunidade tem que ter sua autonomia respeitada. Quem viveu sob o poder de facções criminosas sabe o que representa uma mudança nessa realidade, ainda que bem pequena.

Entre alguns desses intelectuais ainda persiste aquela antiguissima visão poética do traficante que não admite desrespeitos com a população da favela em que ele cresceu e ganhou poder.

Depois de horas de transmissão ao vivo das imagens das ocupações, avançamos pouco. E a culpa é daqueles que se intitulam "intelectualizados".

18.10.10

A bomba está armada e a senha para explodí-la é Paulo Preto

Entenda o caso Paulo Preto:

Como dizia minha avó, quanto mais ele se abaixa mais ele mostra. Serra, o Homem sem Nenhum Caráter não tem mais para onde correr.

Quando a candidata Dilma citou o nome Paulo Preto no debate do 2º turno da Rede Bandeirantes, o alvoroço foi causado na plateia e nos bastidores do poder tucano como o Terra relatou:

"Integrantes do PSDB, preocupados com o cerco da imprensa a partir deste instante, prepararam uma saída à francesa do senador eleito Aloysio Nunes, que mantinha relações estreitas com Vieira de Souza. Minutos depois, o senador eleito deixou o estúdio e não retornou."

A íntegra da reportagem está aqui.

Paulo Vieira de Souza é chamado de Paulo Preto, inclusive pela cúpula tucana.

(Para o Serra, falar Paulo Preto é racista. Copiando Paulo Henrique Amorim, ele diz qualquer coisa.)

Há muitos motivos para que a preocupação na cúpula do tucanato seja grandiosa. Tal preocupação, espante-se, também chega às redações de grandes publicações brasileiras.

Capitaneada pela Polícia Federal, a operação Castelo de Areia indica em seu relatório final que a mega-construtura Camargo Correia fazia com frequência doações ilegais.

A Camargo Correia faz parte do consórcio responsável, em São Paulo, por obras do rodoanel entre outras. E a PF garante as provas que apontam proprinas a governistas do estado de São Paulo.

Paulo Petro, responsável pela empresa do governo do estado paulista Dersa (que cuida de obras grandes como o rodoanel), foi acusado pelos próprios tucanos de arrecadar antes do prazo legal, em nome do PSDB, cerca de 4 milhões de reais.

A denúncia não poderia ser feita pelo partido nem pelos doadores, segundo caciques do PSDB, pois foram doações ilegais.

As obras do rodoanel custaram cerca de 5 bilhões de reais. E Paulo Petro foi demitido, logo depois que Serra saiu do governo, pelo recém-empossado Albeto Goldman. O tucano Goldman já havia trocado e-mails com outros tucanos sobre os problemas que Preto poderia causar.

Mas o post gigante ainda não terminou.

A filha de Paulo Preto foi contratada pelo governo paulista como chefe de cerimônias do palácio de governo.

Serra, o Homem sem Nenhum Caráter, não conseguiu explicar tudo disso nem a Dilma no debate da Band e muito menos a imprensa.

Ele, que gosta de deixar claro nos programas de TV e nos debates que é democrático, classificou as perguntas sobre Paulo Preto de "pauta petista" e "factoide". Na mesma entrevista disse que não conhecia Paulo Preto.

No dia seguinte, após insinuações direcionadas a Serra e ao PSDB do homem-bomba, o Homem sem Nenhum Caráter classificou Preto como "muito competente".

Quando a Veja vai digitar a senha para detonar a bomba no colo do Serra?