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24.8.14

O Brasil que conquistamos apareceu... na Globo!

A incrível história de Cícero, que precisava catar comida no lixo e hoje é médico formado: só força de vontade e dedicação bastam?
Cheguei há pouco em casa e peguei o finalzinho do "Esquenta!", apresentado pela Regina Casé. Apesar das críticas que já ouvi sobre os esteriótipos ali enfatizados, principalmente, gosto bastante de assistir e acompanhar os programas. Os temas, em geral, são divertidos, interessantes e ousados para um programa de domingo a tarde na TV aberta - e na Globo.

Uma das histórias mostradas hoje foi a de Cícero Batista. "Pobre, negro, favelado e faminto", segundo suas próprias palavras, é um dos 20 filhos que D. Izaltina teve. Já precisou catar comida no lixo - onde acabou encontrando livros que serviram para que ele se tornasse um leitor. No auge da entrevista, Cícero revelou outra superação: se tornou médico e quer se especializar em medicina espacial.

Essa é, no mínimo, uma belíssima história. Daquelas que servem de incentivo e podem motivar milhões pessoas pelo poder transformador que carrega. É de verdade e fala sobre superação, sobre chance de melhorar e superar obstáculos. Se fosse mostrada em um filme, seria daqueles dramas de fazer chorar.

E foi quase chorando que eu soube dessa história ontem, dia em que o "Esquenta!" não é exibido. Gostei muito de revê-la hoje, mas o impacto pelo ineditismo foi quando assisti ao programa eleitoral da presidenta Dilma Rousseff - de longe o melhor entre os candidatos à presidência da República, pois além de bem feito, tem projetos e conquistas consolidadas para mostrar. 

Cícero foi bolsista do ProUni e, por isso, pôde ter uma formação pela qual não conseguiria pagar. Sem dúvida, teve um direito garantido e respeitado, mas não podemos ver essa história de maneira tão simplória. Certamente a dedicação fez com que Cícero chegasse onde nem mesmo D. Izaltina imagiva (ela mesma disse: "Ainda penso que tô é sonhando!"), mas ele teve uma oportunidade.

Junto ao filho da D. Iziltina, existem milhões de brasileiros que fizeram ou fazem cursos técnicos, estudam em universidades ou campi novos e até estão fazendo graduação e pós-graduação no exterior através do Ciência sem Fronteiras. Para saber mais sobre essas conquistas, clique aqui e descubra o Brasil que conquistamos - site do Instituto Lula.

Isso sem falar na menor taxa de desemprego da história, na política de valorização do salário mínimo, nos quase 40 milhões de brasileiros que saíram da miséria, na inflação sob controle entre tantos outro números inquestionáveis e que fizeram o Brasil virar referência mundial em desenvolvimento. O discurso não pode ser esquecido: ainda temos muito a conquistar, mas não dá pra esquecer o que foi feito até aqui.  


8.10.12

Eles, o povo

Aquilo que muita gente cisma em chamar de "festa da democracia" teve sua primeira parte terminada ontem. No país dos mais de 5 mil municípios, os vereadores foram eleitos assim como já aconteceu com a imensa maioria dos prefeitos.

As campanhas municipais - pelo menos aquelas de maior repercussão como as do Rio de Janeiro e São Paulo - costumam trazer ingredientes de uma comédia pastelão misturados com pitadas de drama. O resultado e impacto varia de plateia (ou entre os eleitores): há os que dormem durante toda a sessão e só acordam nos créditos finais, sendo informados sobre os eleitos; há os que ficam indignados e incomodados, ao mesmo tempo em que o cara da cadeira ao lado ri sem parar.

Alguns dizem que a democracia é extremamente falha e ilude a maioria com seu discurso. Talvez não pensem que nosso uso da democracia pode ser falho também.

Todos somos seres políticos, e a forma como reagimos, pensamos e lidamos com o período eleitoral não impõe (des)qualificações. Nosso sistema democrático, baseado na representatividade dos partidos políticos, é recente. Foi conquistado há 30 anos, praticamente, e isso já diz muito. Não sabemos lidar com ele ainda, independente do nível de escolaridade que tenhamos ou, pior!, da parte da cidade em moramos. 

No país do coronelismo, do voto de cabresto e da troca de votos por dentaduras, jogar sobre o eleitor comum (pobre, pouco instruído e cheio de anseios) a responsabilidade do voto consciente é como que pedir aos grandes estúdios de cinema que parem de produzir besteirol para criarem um público novo, mais crítico e exigente.

Ontem, no primeiro turno, o candidato à reeleição Eduardo Paes (PMDB/RJ), atingiu seu objetivo. Teve quase 65% dos votos válidos e será o prefeito carioca por mais quatro anos. O banho de água fria naqueles que acreditavam no segundo turno e acabaram sendo frustrados com uma vitória esmagadora (essas pessoas pensam que Marcelo Freixo, do PSOL, teve "apenas" 28% dos votos válidos) foi tão incômodo como constrangedor. Ontem mesmo, poucas horas após o fechamento da última urna, já se sabia quem era o culpado pelo equívoco eleitoral: o povo.

Fala-se muito facilmente em "povo", se referindo a outras pessoas, a outros grupos sociais. Sinto informar, intelectuais: numa visão mais ampla e menos preconceituosa da política e da democracia, todos somos o povo. Há aqueles que, de fato, não participam desse grupo. Não são parte do povo porque não honram o mesmo, mas entre esses você, mero assalariado de classe média, não faz parte.

Favor não recorrer a números que insistam em reafirmar diferenças, como nível de renda e escolaridade, quantidade de filhos por mulher, taxa de desemprego etc. Não, você não é menos povo.          

13.9.12

O mapa é dos votos, mas a regionalização é preconceituosa

A Folha vê o mundo somente pelo critério de classe?
Ao pensar e produzir um mapa, é importante estabelecer os critérios que servirão para dividir o espaço em regiões. 

Isso é Geografia pura e chama-se regionalização. Um mapa do Brasil pode ter um mesmo tema, mas a maneira de dividi-lo para que o mesmo possa ser interpretado é variado a depender dos critérios utilizados para o estabelecimento das regiões. 

Essa informação é importante para que possamos analisar a mais nova tentativa do jornal Folha de S. Paulo de explicar, a seu modo, o eleitorado e as vitórias petistas. Valendo-se do recurso cartográfico, um "videográfico" foi produzido e diz mostrar a evolução da votações na capital paulista, mas o conteúdo central é baseado num critério muito limitado: o nível de renda. Soma-se a isso as ideias de centro e periferia.

O vídeo explica inicialmente, que os bairros da cidade foram divididos segundo o nível de renda e, no mapa, aparecem em uma escala de verde. São usados, também, pontos de referência como o Parque do Estado, Represa Billings, Ibirapuera, Parque do Carmo entre outros. Dessa forma, a regionalização foi baseada apenas nos dados oficiais de renda.

Num segundo momento são mostradas os pontos em vermelho onde o PT foi eleito e em azul as áreas em que a "oposição" (PP, PSDB e DEM, segundo a análise da Folha) foi vitoriosa, ambos em primeiro turno. Os pontos foram lançados no mapa de acordo com eleições de âmbito municipal e nacional.

A primeira eleição analisada foi a para presidente em 1994, sendo intercalada pela eleição municipal seguinte, repetindo tal procedimento até o pleito presidencial de 2010. 

Mapa e poder
É valioso que o navegante perceba que a análise da Folha iniciada em 1994, por exemplo, já configura uma escolha de critério, assim como a opção por não mostrar os números das eleições estaduais.

Produzir um mapa sempre foi fonte de poder, pois trata-se de orientar uma informação. (E disso a Folha entende, amigo navegante...) 

Mais do que escolher as cores certas para compor a legenda, é preciso que seu autor analise todas as leituras possíveis do mapa e conclua se elas são coerentes.

Os dados utilizados pelo jornal são oficiais e não precisariam ser alterados, mas a forma como os mesmos são apresentados (ou escondidos) podem configurar manipulação por parte do autor.

Como analisar os votos sob o aspecto da renda?
É evidente que um estudo sobre os votos dos mais ricos e pobres de uma cidade como São Paulo é válido, mas a crítica que podemos fazer é que existem critérios mais completos que levam a conclusões mais amplas e tornam as conclusões dos leitores àquilo que realmente interessa.

A Folha deveria produzir um mapa menos baseado em questão de classe.

Este blogueiro que vos escreve acredita que boa parte do preconceito, resistência e intolerância e aos governos Lula e Dilma (e a seus eleitores) é baseado em mero preconceito de classe.
  
E o mapa de votos da Folha apenas sustenta tal preconceito. É como se ficasse provado quem são os responsáveis pela eleição do Nunca Dantes (como diz Paulo Henrique Amorim), por exemplo.

Sendo mais criteriosa e mais honesta com seus leitores, a Folha poderia completar o mapa de votos da capital paulista com o Índice de Desenvolvimento Humano ou mesmo dos bairros em que os moradores mais perdem tempo no transporte público.

O leitores perceberiam que o PT não vence mais facilmente na zonas de pobreza, mas mais do que isso. Usando mais critérios seria possível perceber que o PT vence nas áreas mais excluídas.

A "vida fácil" das eleições do PT na periferia é mais justificada pela carência de serviços públicos de qualidade e pelas conquistas recentes do povo mais pobre de São Paulo via Lula e Dilma do que por mera questão classista. 

O PT não é o partido dos pobres, mas daqueles melhoraram de vida nos últimos anos ou daqueles que acreditaram em outras propostas de poder.

A Folha falhou, mais uma vez. 
    

     

23.12.11

Marcelo Freixo: significa?

Foto: Oscar Cabral/Veja Rio.

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL/RJ) é um dos nomes mais comentados da política fluminense nos últimos meses. Seus dois mandatos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) têm repercutido não somente por causa de sua atuação como presidente da CPI das Milícias (e as consequentes ameaças de morte que vem recebendo desde então), mas também pela clareza que utilizou para transformar o funk em movimento cultural e derrubar a lei que exigia autorização da Polícia Militar para que bailes em favelas do estado pudessem acontecer.
 
Já declarado pré-candidato à prefeitura do Rio e normalmente apresentado como alternativa (por si mesmo e pela grande mídia que inegavelmente o legitima), tenho dúvidas se Freixo conseguirá formar/liderar uma aliança verdadeiramente progressista para a cidade.

Seu discurso - no que tange as milícias, poderes corrompidos e (in)eficiência do Estado - é coerente e plausível, mas tudo isso parece perder valor quando o deputado assume de vez as politicagens necessárias para ser eleito, embora se dê o direto de criticar as alianças feitas, por exemplo, pelo PT quando o partido chegou à Presidência da República em 2003: "Saí do PT quando o PT saiu de si".

Sua possível aliança com Fernando Gabeira dificilmente formará uma candidatura de enfrentamento ao péssimo modelo de gestão que a cidade carrega desde os mandatos de Cesar Maia - que teve o PV de Gabeira em seu secretariado. Ou seja: aliança PT-PMDB é coisa de partido vendido; PSOL-PV é necessidade imposta pelo sistema político brasileiro.

Até Romário, hoje deputado federal pelo PSB/RJ e até outubro de 2010 mais um candidato-galhofa, tem conversado sobre as eleições de 2012 com Marcelo Freixo. A justifica é tão coerente quanto protestos contra corrupção pela orla do Leblon:
"A grande aliança é com a sociedade civil. Interessa muito o apoio da Marina Silva, que está num campo ético. Vou conversar com o Romário, por que não? O Romário tem sido um aliado nas brigas nossas contra a CBF. Estamos conversando com o Gabeira."  
O deputado federal Romário (PSB/RJ) no apoio à Marcelo Freixo "brigando" contra a CBF.
Foto: Jorge William/Agência O Globo

Freixo parece escolher momentos e temas que lhe permitam sair atirando para todos os lados, angariando votos que jamais seriam dados a ele, candidato sem experiência no poder executivo e assumidamente socialista.

É assim que ele permite classificar o filme "Tropa de Elite 2" como "um primor do cinema", destacando: "O personagem (deputado Diogo Fraga) é mesmo muito baseado em mim".

É dessa forma que ele confirma o discurso do medo e aponta a "segurança pública" como principal problema do Rio, a cidade partida. Desigualdade social? Moradias sem dignidade? Transporte caro e sem qualidade? Não, esses não parecem ser assuntos principais para Marcelo Freixo.

A candidatura de Freixo poderia, sim, significar um avanço na política carioca, mas parece que estamos caminhando para uma reedição do que aconteceu em 2008: uma parcela da população (auto-intitulada elite intelectual da cidade) tem se entusiasmado com um rosto novo, uma falsa ideia de renovação, esquecendo-se de pensar projetos, ideias e, principalmente, viabilidade.

14.7.11

O que quer Marina Silva?



Pode parecer discurso de petista cego, mas não se trata disso. Trata-se de analisar fatos, discursos e posições.

Nas eleições presidenciais de 2010 fomos obrigados a lidar com muitas sujeiras e alguns acontecimentos no mínimo estranhos.

De um lado, o desesperado José Serra recorria aos elogios à Lula (lembra do jingle "quando o Lula da Silva sair/é o Zé que eu quero lá"? Não?! Então ouça aqui.), ao aborto e aos pastores e padres que cismam em meter-se na política.

De outro ficou Marina Silva, representando um PV que não a representava. O PV, além de defender algumas bandeiras que todos já têm conhecimento como a legalização da maconha (assunto para outra postagem), é mais conservador do que se imagina. Está entre suas propostas: redução da maioridade penal para 16 anos como forma de garantir mais segurança (veja aqui no item 2c). Nada a ver com a Marina Silva evangélica.

Àquela época queria acreditar que a ex-senadora estava sendo enganada por um dos partido mais confusos do Brasil. Hoje não acredito mais nisso.

Recentemente Marina Silva deligou-se do PV por não concordar com alguns caminhos seguidos pelo partido e por sentir-se motivada a encontrar um "novo jeito de fazer política", em um novo "movimento". Junto dela outros quinze nomes fizeram o pedido de desfiliação.



Alfredo Sirkis, deputado federal pelo Rio e um dos fundadores do PV, participou do encontro em que o "movimento" (sem nome, sem definição, sem o povo) foi lançado. Entretanto, optou por não desligar-se agora do PV pois queria preservar o seu mandato. Ué... o objetivo não era buscar uma forma de fazer política sem se preocupar com fins eleitoreiros? Prender-se a mandato não é politicagem pura? Não deu pra entender.

Outra personalidade (?) que também apoiou o "movimento" foi Fernando Gabeira, que nunca sabe para onde vai. Sem mandato, Gabeira está no bolo dos que saíram da legenda verde.

Gabeira também acredita em um "movimento" político novo. Mas em 2010 o então candidato ao governo estadual foi responsável por um dos momentos mais ridículos das eleições. A foto fala por si:



Gabeira apoiava Serra e Marina, embora a verde tenha conseguido convencer alguns eleitores ("apenas" 20 milhões) de que ela era "alternativa" a Dilma e Serra.

Minha dúvida é: Marina Silva, ao saber que o companheiro de partido apoiava seu adversário direto, ficou como?

Marina Silva é mesmo uma boa cristã que perdoa e é livre de ressentimentos ou... sua candidatura serviu somente para embolar o meio-de-campo na disputa à presidência?

É difícil entender como que após o vexame capitaneado por Gabeira, Marina ainda encontre nele qualquer apoio que seja - e aceite-o.

E aí, Marina? O que queres?

1.11.10



Alguém falou e a Veja acreditou.

A Veja acreditou e fez o Serra acreditar.

Como explicar, de maneira clara, que nem sempre a elite escreve a história?

Como a Veja e o PiG aceitarão que são os vencedores que escrevem a história e, nem sempre, eles são parte da vitória?

O Brasil pós-Lula não tem a cara de Serra.

A Veja e o PiG vão esconder, mas 56% dos votos válidos para uma "despreparada", "inexperiente", "sem carisma" e novata como Dilma não é pouco.

Foi uma vitória esmagadora.

Foi uma linda vitória.

Quanto ao Serra... "Uma vez calhorda, sempre calhorda" (PHA, do Conversa Afiada).

O Serra, você sabe, é o Homem sem Nenhum Caráter. E pode ser a próxima capa da Veja.
Tenho certeza que minhas próximas linhas serão menosprezadas por pessoas que, por sorte minha, as lerão.

Não quero pagar de visionário, mas não posso usar outras palavras nem fazer rodeios: que orgulho saber que Dilma foi eleita presidenta do Brasil! Que orgulho saber que vencemos após uma campanha suja, da qual nos vimos obrigados a fazer parte!

Quanto orgulho saber que, infelizmente, penso como poucos e não preciso de muitos motivos para mensurar que depois de Bachelet e Cristina K. a América Latina elegeu mais uma mulher para representá-la!

Dilma vai marcar a história brasileira não apenas por ser a primeira mulher a comandar o país mais importante da América Latina, embora a grande mídia desvalorize até isso. Essa mulher que foi eleita há poucas horas entrará para a história por sua competência e capacidade de surpreender os (já) incontáveis críticos.

Devo confessar: me apaixonei, sobretudo, pelo projeto político de Lula, representado por Dilma; depois Dilma acabou ganhando minha admiração. O divisor de águas foi ver quadros históricos do PT levantando a bandeira e colocando o broche da estrela vermelha no peito novamente, em apoio a ela.

Não admito que Dilma seja qualificada apenas como a "menos pior" e sinto pena dos que acreditam nisso. É questão de tempo e ela vai provar isso.

Dilma não tem (ainda) a mesma desenvoltura de Lula para falar com militantes ou jornalistas e causar impacto. Aliás - agora sim pagando de visionário - nem sei se seu papel é somente esse.

Dilma sabe bem o que faz e vai surpreender muita gente. Vai fazer mais do que esperam os críticos, os tucanos, os gabeiras, as marinas e os petistas. É questão de pouco tempo.

Dilma representa um avanço muito mais significativo do que alguns brasileiros podem entender nesse momento.

Enquanto escrevo, vejo uma matéria no site da Globo News (sim, eu assisto Globo) sobre o que pensam os búlgaros acerca de Dilma Rouseff. Quanta vergonha saber o quanto a mídia e alguns brasileiros são preconceituosos. Alguns búlgaros entrevistados demonstraram orgulho, sentimento que muitos brasileiros ainda não compartilham.

Mas eu sim - sendo visionário ou não.

28.10.10

Eu tenho medo da Regina Duarte

A imprensa brasileira não tem a obrigação de tratar de números da economia, muito menos de compará-los aos do governo passado. Entretando, não é correto esconder esses números visando beneficiar ou prejudicar um candidato.

Se a grande mídia no Brasil fosse independente, os avanços do governo Lula teriam sido ainda mais significativos e a eleição seria mais clara. E fácil.

O eleitor brasileiro de classe média - tido como bem informado e com nível intelectual superior ao dos que recebem Bolsa Família - não mensuram as grandes conquistas. Além disso, têm memória fraca.

Em 2002 Regina Duarte foi para a TV apoiar Serra. Em seu (vergonhoso) depoimento além de dizer ter medo do Lula, garantiu que se ele fosse eleito a inflação desenfreada voltaria, o país seria "instável" novamente e que o que a política internacional teria "muita pressão".

Oito anos se passaram e o país mudou. Veja algumas comparações nesse vídeo.



Nocaute.

O mundo dá voltas.

O público jamais esquecerá o papelão que Regina Duarte assumiu. Mesmo ela tendo muitos anos de carreira, ao digitar "regina duarte" na busca do YouTube o vídeo do medo é o que aparece no topo, com quase 200 mil exibições.

#ByeByeSerraForever

18.10.10

A bomba está armada e a senha para explodí-la é Paulo Preto

Entenda o caso Paulo Preto:

Como dizia minha avó, quanto mais ele se abaixa mais ele mostra. Serra, o Homem sem Nenhum Caráter não tem mais para onde correr.

Quando a candidata Dilma citou o nome Paulo Preto no debate do 2º turno da Rede Bandeirantes, o alvoroço foi causado na plateia e nos bastidores do poder tucano como o Terra relatou:

"Integrantes do PSDB, preocupados com o cerco da imprensa a partir deste instante, prepararam uma saída à francesa do senador eleito Aloysio Nunes, que mantinha relações estreitas com Vieira de Souza. Minutos depois, o senador eleito deixou o estúdio e não retornou."

A íntegra da reportagem está aqui.

Paulo Vieira de Souza é chamado de Paulo Preto, inclusive pela cúpula tucana.

(Para o Serra, falar Paulo Preto é racista. Copiando Paulo Henrique Amorim, ele diz qualquer coisa.)

Há muitos motivos para que a preocupação na cúpula do tucanato seja grandiosa. Tal preocupação, espante-se, também chega às redações de grandes publicações brasileiras.

Capitaneada pela Polícia Federal, a operação Castelo de Areia indica em seu relatório final que a mega-construtura Camargo Correia fazia com frequência doações ilegais.

A Camargo Correia faz parte do consórcio responsável, em São Paulo, por obras do rodoanel entre outras. E a PF garante as provas que apontam proprinas a governistas do estado de São Paulo.

Paulo Petro, responsável pela empresa do governo do estado paulista Dersa (que cuida de obras grandes como o rodoanel), foi acusado pelos próprios tucanos de arrecadar antes do prazo legal, em nome do PSDB, cerca de 4 milhões de reais.

A denúncia não poderia ser feita pelo partido nem pelos doadores, segundo caciques do PSDB, pois foram doações ilegais.

As obras do rodoanel custaram cerca de 5 bilhões de reais. E Paulo Petro foi demitido, logo depois que Serra saiu do governo, pelo recém-empossado Albeto Goldman. O tucano Goldman já havia trocado e-mails com outros tucanos sobre os problemas que Preto poderia causar.

Mas o post gigante ainda não terminou.

A filha de Paulo Preto foi contratada pelo governo paulista como chefe de cerimônias do palácio de governo.

Serra, o Homem sem Nenhum Caráter, não conseguiu explicar tudo disso nem a Dilma no debate da Band e muito menos a imprensa.

Ele, que gosta de deixar claro nos programas de TV e nos debates que é democrático, classificou as perguntas sobre Paulo Preto de "pauta petista" e "factoide". Na mesma entrevista disse que não conhecia Paulo Preto.

No dia seguinte, após insinuações direcionadas a Serra e ao PSDB do homem-bomba, o Homem sem Nenhum Caráter classificou Preto como "muito competente".

Quando a Veja vai digitar a senha para detonar a bomba no colo do Serra?

16.10.10

Deus não é eleitor brasileiro

O Serra, você sabe: é o Homem sem Nenhum Caráter. E ele prova isso a cada dia da campanha eleitoral.

Depois de me fazer acreditar ter sido indiretamente o responsável por jogar na internet e-mails questionando a fé da candidata Dilma e sobretudo acusando-a de ser a favor do aborto, ele fez mais. Muito mais.

Primeiro, se calou no debate da Band para em seguida negar que sua mulher Mônica Serra tivesse andado pelas ruas de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, dizendo que Dilma é a favor de matar criancinhas. Ele mente e a prova está aqui.

Depois, sabendo que os votos dos conservadores e religiosos em Marina o levaram ao segundo turno ele aparece na TV falando em um Brasil que "está nascendo" e leva ao ar comerciais que mostram um parto. Mais sujo impossível? Não.

Serra nunca escondeu que sempre quis ser presidente. O que ele tem deixado claro é paga qualquer preço para isso e a prova é a entrevista de Sheila Ribeiro ao jornal Correio do Brasil. Ex-aluna de Mônica Serra, ela afirma que em uma de suas aulas a professora disse ter feito um aborto aos quatro meses. Leia a reportagem aqui.

O Serra é, definitivamente, o Homem sem Nenhum Caráter.

Agora, mais do que gastar as linhas desse blog com acusações e comparações entre a competência e honestidade de Serra e Dilma, uma reflexão mais do que necessária.

Deus pode ser brasileiro, mas tenho certeza de que seu título de eleitor não possa ser daqui. Não considero pertinente que nossos órgãos de imprensa e a sociedade como um todo aceitem que esses temas sejam tratados dessa forma numa campanha presidencial.

Existem questões importantes a serem colocadas. Uma delas é a de que o Presidente da República não governa sozinho. O fato de Dilma ou Serra garantirem que não irão propor a legalização do aborto não significa que a lei não irá existir. A Lei da Ficha Limpa serve de exemplo: iniciativa popular, ganhou a internet e foi aprovada por nossos deputados e senadores.

Além disso, acredito que tenhamos que deixar claro que fazer política é também fazer concessões. A minha ou a sua vontade não pode ser imposta a dos outros. Vivemos em uma democracia, não? Se Dilma, Serra, Marina ou qualquer outro candidato se mostra contra ou a favor do aborto cabe a nós, eleitores, avaliar propostas que envolvam outros assuntos. E sem pedir ajuda de Deus.

14.10.10

As eleições e a cara-de-pau do Serra na campanha têm me dado motivos suficientes para alimentar esse blog nos últimos dias. E, agora, (mais) uma opinião conservadora e preconceituosa me dá vontade de escrever aqui de novo.

Tudo o que eu escreveria por aqui pode ser melhor entendido com um excelente texto de Maria Rita Kelh, recém-demitida do jornal Estado de São Paulo, que declarou apoio a Serra. O jornal não não confirma, mas há claros indícios de que houve perseguição política.

Antes de colocar aqui o texto (que causou a demissão) dela, uma questão importante: a elite brasileira não está capacitada para falar do povo brasileiro. Não tem moral para isso.


Este jornal (Estado de S. Paulo) teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apóia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela presidência da república. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro. 

Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa esmola. 

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da bolsa-família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés-de-chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela bolsa-família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. 200 reais é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola. 

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador “Garapa”, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A bolsa família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém adquirida. 

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da bolsa família, que apesar de modesta, reduziu de 12 para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem idéia do quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de 200 reais? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou este efeito de “acumulação primitiva de democracia”. 

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas em seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do país. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano. 

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do país, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática , parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.


E ponto final.

12.10.10

O Zé Baixaria não pode reclamar que esteja sendo (des)qualificado como o Homem sem Nenhum Caráter.

Depois do programa da Dilma colocar no ar momentos em que a candidata trucidava o tucano no debate da Band, os nada competentes marqueteiros do Zé Pedágio resolveram fazer o mesmo, mas com um importante detalhe: usando de má fé e mentindo.

Num primeiro momento o programa defendeu a esposa de Serra (algo que o candidato não fez durante o debate). O problema é que não existe defesa para algo que, de fato, aconteceu. Mônica Serra disse que Dilma era a favor de matar criancinhas e a candidata jogou a sujeira pro meio da roda no último domingo. A matéria que denuncia a "campanha" da esposa de Serra está aqui.

Ainda usando da mentira (ou "mentíííra" como o Serra fala), a campanha do ex-chefe do Plano Nacional de Privatizações do Brasil teve a audácia de nomear "as privatizações do PT". Além disso, Serra aparece criticando a capitalização do Banco do Brasil na Bolsa de Nova Iorque. Pena que "esqueceram" de colocar a parte em que o Homem sem Nenhum Caráter afirma ser a favor da medida.

Você pode acompanhar o momento que não foi ao ar no programa do Serra no vídeo abaixo, a partir de 1 minuto e 28 segundos.



Ou seja: para fugir da imagem de terem sido os responsáveis pelas "privatarias" no Brasil, vale tudo. Até fingir que é contra algo que assumiu apoiar há dois dias.

Que vergonha!

5.10.10

Eleições de domingo

Mais do que falar sobre o segundo turno entre Dilma e Serra, o Candidato sem Nenhum Caráter, é preciso falar sobre o posicionamento da imprensa ao cobrir a reta final da campanha.

Serra apareceu para seus "militantes" como se tivesse vencido com larga vantagem. E o PiG fez a cobertura do mesmo jeito.

Estão superestimando os quase 20% de votos alcançados por Marina. A Traíra tem, de fato, seus méritos. Mas nem tudo é tão simples assim.

Dilma não precisa se preocupar com a "onda verde"; o debate sobre sustentabilidade não vai nortear o segundo turno; Serra, o Candidato sem Nenhum Caráter, ainda não tem o que comemorar.

A verdade é que Marina está sendo superestimada e o desempenho de Dilma subestimado.

Esqueceram as previões do PiG que garantiam que o Lula não ia transferir votos? Esqueceram que Dilma ia ter que batalhar muito para ir ao segundo turno com o Zé Pedágio?

É preciso deixar claro que os 20% de votos para Marina são mais deméritos da campanha de Dilma do que méritos do PV (o único Partido Verde do mundo de direita é o da Marina e do Gabeira).

Sem demagogia e preconceito: se a onda verde tivesse acontecido, o Zé Baixaria também teria perdido votos e não apenas Dilma.

Dilma perdeu votos dos quase-fanáticos religiosos, dos que acreditam em correntes de internet e da pseudo elite intelectual brasileira. Pseudo elite que caiu no papo do PiG de supor que ganhar no 1º turno é ser anti-democrático.

Agora, os intelectuais de Internet terão de engolir que o PV vai apoiar o Candidato sem Nenhum Caráter.

Não dá pra aceitar a "onda verde".

Dilma ganhou quase 47% dos votos válidos.

O Serra não tirou votos da Dilma.

O apoio da Marina não vai barrar a rejeição que o eleitor tem aos tucanos e ao Zé Pedágio.