23.7.11

Encontro Mundial de Blogueiros Progressistas

A @MariaFro acabou de me dizer, via Twitter, que o I Encontro Mundial de Blogueiros acontecerá em Foz do Iguaçu (PR) nos dias 28, 29 e 30 de outubro.

Excelente oportunidade para discutirmos liberdade de comunicação em esferas globais.

Divulga aí!

14.7.11

O que quer Marina Silva?



Pode parecer discurso de petista cego, mas não se trata disso. Trata-se de analisar fatos, discursos e posições.

Nas eleições presidenciais de 2010 fomos obrigados a lidar com muitas sujeiras e alguns acontecimentos no mínimo estranhos.

De um lado, o desesperado José Serra recorria aos elogios à Lula (lembra do jingle "quando o Lula da Silva sair/é o Zé que eu quero lá"? Não?! Então ouça aqui.), ao aborto e aos pastores e padres que cismam em meter-se na política.

De outro ficou Marina Silva, representando um PV que não a representava. O PV, além de defender algumas bandeiras que todos já têm conhecimento como a legalização da maconha (assunto para outra postagem), é mais conservador do que se imagina. Está entre suas propostas: redução da maioridade penal para 16 anos como forma de garantir mais segurança (veja aqui no item 2c). Nada a ver com a Marina Silva evangélica.

Àquela época queria acreditar que a ex-senadora estava sendo enganada por um dos partido mais confusos do Brasil. Hoje não acredito mais nisso.

Recentemente Marina Silva deligou-se do PV por não concordar com alguns caminhos seguidos pelo partido e por sentir-se motivada a encontrar um "novo jeito de fazer política", em um novo "movimento". Junto dela outros quinze nomes fizeram o pedido de desfiliação.



Alfredo Sirkis, deputado federal pelo Rio e um dos fundadores do PV, participou do encontro em que o "movimento" (sem nome, sem definição, sem o povo) foi lançado. Entretanto, optou por não desligar-se agora do PV pois queria preservar o seu mandato. Ué... o objetivo não era buscar uma forma de fazer política sem se preocupar com fins eleitoreiros? Prender-se a mandato não é politicagem pura? Não deu pra entender.

Outra personalidade (?) que também apoiou o "movimento" foi Fernando Gabeira, que nunca sabe para onde vai. Sem mandato, Gabeira está no bolo dos que saíram da legenda verde.

Gabeira também acredita em um "movimento" político novo. Mas em 2010 o então candidato ao governo estadual foi responsável por um dos momentos mais ridículos das eleições. A foto fala por si:



Gabeira apoiava Serra e Marina, embora a verde tenha conseguido convencer alguns eleitores ("apenas" 20 milhões) de que ela era "alternativa" a Dilma e Serra.

Minha dúvida é: Marina Silva, ao saber que o companheiro de partido apoiava seu adversário direto, ficou como?

Marina Silva é mesmo uma boa cristã que perdoa e é livre de ressentimentos ou... sua candidatura serviu somente para embolar o meio-de-campo na disputa à presidência?

É difícil entender como que após o vexame capitaneado por Gabeira, Marina ainda encontre nele qualquer apoio que seja - e aceite-o.

E aí, Marina? O que queres?

13.7.11




O governador Sergio Cabral chamou de vândalos os bombeiros que estavam em greve e que, para protestarem, entraram no quartel.

Sergio Cabral também chamou o Bope para contornar a situação - ele pensa que o Bope resolve tudo.

Mas o governador voltou atrás e se desculpou. Coisa de político profissional. Coisa de quem sonha em ser o vice do Lula em 2014, apostando em um fracasso de leve da presidenta Dilma.

Cabral não sabe lidar com situações em que sua competência ou qualidades sejam questionadas.

Depois dos escândalos do avião do Eike e da festa do amigo empreiteiro (que você pode entender melhor aqui e aqui), ele resolveu se blindar na greve dos professores da rede estadual, que dura mais de um mês. Coisa de político profissional.

Apenas o secretário de Educação é chamado para negociar com o movimento grevista e dar satisfações à sociedade, através da mídia. Mídia, aliás, que é muito paciente com o governador amigo da high society carioca. Não vamos entrar nesse assunto agora.

A crítica que se faz é: o governo diz não ter condições orçamentárias de assumir compromissos de aumento de salários. Fala, ainda, que o alto número de funcionários da educação (é a maior categoria do estado, mesmo com tamanha falta de professores nas salas de aula) geraria um custo previdenciário alto, que não poderia ser pago.

Ficam algumas perguntas, governador.

Porque reformar o Maracanã ao custo de 705 milhões de reais, podendo chegar a 1 bilhão, já tendo anunciado sua privatização após a Copa de 2014?

Onde estão os investimentos estrangeiros tão comemorados nos caríssimos comerciais da TV e na sua (também caríssima) campanha?

E os recursos que o Rio irá garantir com o pré-sal? Vão parar aonde?

Porque classificar como "investimento" o empréstimo junto ao BNDES para o novo Maracanã e classificar como "custo" o aumento aos professores e demais servidores do estado?

Ficam as perguntas, que certamente não terão respostas do político profissional.

8.7.11

À Presidenta Dilma

É quase consenso que o sistema política brasileiro (alianças em eleições, troca de votos no Congresso por emendas de deputados e senadores ao orçamento, distribuição de cargos em todas as esferas de governo, etc) está falido. Há, entretanto, uma atitude muito mais sensata e necessária do que apenas reclamar: fazer existir uma mudança nisso tudo.

Instituições - públicas ou não - não têm o poder da auto-regulação e da auto-reforma, cabendo à sociedade civil estar organizada sem demagogias para exigir mais ética e compromisso. A presidenta não pode ser culpada ou perseguida pelo fato de alguns ministros não terem nenhuma qualificação além de serem caciques de partidos da base de apoio ao governo. Governar é saber fazer concessões e escolher os avanços, embora notícias de bastidores (que não são publicadas pelo PiG) dão como certa a insatisfação de Dilma com o trabalho do ex-ministro dos Transportes e sua vontade em nomear alguém de perfil técnico.

O pedido que fica é simples: resista, presidenta! Imponha sua vontade sempre que possível e, quando não for viável, aprenda maneiras de contornar situações desse tipo. Avançar sempre é mais importante do que avançar muito, mas às vezes.

6.7.11

Antes que venham com a batida frase que diz que "no Brasil é proibido fazer sucesso", quero dizer que não tenho o menor problema com pessoas que fazem sucesso - desde que justificado.

A fama de bom moço de Luciano Huck não é de hoje e por isso não me incomoda há pouco tempo. Na verdade, o que me incomoda são as pessoas acreditarem que, de fato, um empresário gosta e respeita gente pobre - como eu e você.

Esse incômodo, entretanto, se restringia a não assistir seus programas, mas recentemente aconteceram dois fatos que me mostraram que não dava para ficar alheio aos assuntos (sujos) do bom-moço.

O primeiro fato foi numa pesquisa de opinião, da qual eu fazia parte. Perguntaram o que achávamos de uma marca X e logo a classificaram como "fanfarrona", "que quer se aproveitar dos outros". Em seguida a questão foi: quem seria uma celebridade que a representaria bem? Mandei na lata: Luciano Huck. Os demais presentes quase me mataram de ódio e indignação.

Dias depois a justiça de Angra dos Reis determina multa de R$40.000 (uma fortuna!) pelo fato de o apresentador estar criando mariscos de maneira ilegal. Boias foram instaladas sem autorização em frente à sua casa, construída em área de proteção ambiental de acordo com outro processo em que a defesa do apresentador é do escritório da primeira-dama-amiga-da-high-socity-carioca, Adriana Ancelmo. As boias impediam a chegada de banhistas à praia "do" apresentador.

Ou seja, amigo navegante (como diz Paulo Henrique Amorim): o tucano - de nariz e quase-filiação partidária - vai deixar a TV e suas reformas bregas de residência de lado para dedicar-se à maricultura. Não, ele não quer impor exclusividade em um espaço público; quer apenas ostras.

O amigo do Aécio e investidor de retorno garantido não tem motivos para ser paparicado por nós, só pelo PiG.

1.7.11

O governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral (PMDB), recentemente passou por um problema pessoal que caiu na opinião pública como bomba em pouquíssimo tempo. Um acidente de helicóptero matou sete pessoas - amigos ou pessoas próximas a Cabral, como a namorada de seu filho, por exemplo.

Descobriu-se, como você vê aqui, que o governador era um dos convidados para a festa de aniversário do dono da construtura Delta, uma das que mais tem contratos com o governo do estado do Rio. A festa aconteceu na Bahia e para chegar até lá o governador se valeu de outra amizade de ouro: ninguém menos que Eike Batista emprestou seu avião para Cabral e outros convidados.

Recentemente Eike disse - enquanto contava seus dólares, certamente - que não viu problema algum nisso, pois o empréstimo "não é ilegal".

Eike Batista pode não gostar do que é ilegal ou daquilo que engorda, mas fez questão de passar alheio sobre a moral.

Aí fica a pergunta: é preciso apenas estar dentro da lei? A moralidade pode ser traduzida em palavras e parágrafos e constar na Constituição? A resposta é única: não.

O governador, que tem planos políticos grandes segundo alguns entendidos, resolveu não usar dinheiro público para fazer sua viagem (ficaria feio ter o aluguel de um táxi aéreo para seu "lazer"), mas também não botou a mão no bolso. Corrigindo: não colocou a mão em seu próprio bolso, porque no meu sim.

As empresas de Eike têm conseguido concessões significativas para realizar obras em todo o estado. O mega-empresário resolveu agradecer? Ficou feio, Eike!

E os contratos da Delta? No começo da gestão Cabral tinham valores que não chegavam a 68 milhões de reais. Hoje os contratos somam 506 milhões - um salto de 655%.

Ilegal não é, mas o que falar de alguém que "dá" esse presente a uma empresa e ainda faz uma visita? Ficou feio, Cabral!

A gente vive no país do "e daí?". E daí que eu sou governador e me relaciono com o dono da empresa que tem contratos com o governo de meio bilhão de reais?

E daí que autorizaram a construção do mega-porto do mega-empresário com mega-suspeitas? Empresto o avião sim, e daí?

27.6.11

À deputada Myrian Rios

Falar daquilo que é lógico é muito difícil.

Não consigo conceber que ainda precisemos convencer qualquer ser humano de que democracia não tem nada a ver com se permitir discriminar negros, mulheres, protestantes etc.

Mas a gente vive no Brasil, um país em que homossexuais levam lâmpadas na cara em plena Avenida Paulista (por serem gays) e deputadas conservadoras assumem o discurso grosseiro mesmo já tendo posado para revistas masculinas.

O fato é que a deputada estadual Myrian Rios (PDT/RJ) acaba de entrar para o grupo das personalidades políticas desagradáveis por suas opiniões errôneas a respeito dos homossexuais, seus direitos e a real ideia de democracia.

Generalizar indivíduos como perigosos pelo simples fato de serem gays (ou negros, mulheres, nordestinos, religiosos etc.) é preconceito. E ponto! Não há do que duvidar. No caso brasileiro, as pessoas que teimam em usar do discurso democrático querem, na verdade, concessões e brechas para serem preconceituosas.

A deputada em questão disse com todas as letras que não votaria a favor de um projeto de lei em que ela perderia o "direito de demitir um funcionário da minha empresa ao descobrir que ele é homossexual". Ora, cara pálida! De onde surgiu essa vergonhosa coragem de proferir tais palavras? Uma possível resposta: da falta de leis que punam gente preconceituosa como a senhora.

Tenho algo a lhe dizer, deputada: eu votaria contra uma lei que proibisse atrizes mal-sucedidas de serem candidatas a cargos públicos. Tenho certeza de que outras pessoas (católicas como a senhora ou não) teriam mais condições de me representar como cidadão fluminense na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, mas opto pela democracia. Se for a vontade do povo que a senhora seja eleita, que assim seja!

Mas não abuse da suposta falta de informação daqueles que a elegeram. Não passe vergonha insinuando que homossexuais são pedófilos em potencial.

A deputada não sabe falar sobre democracia, mas argumenta como se fosse uma especialista; a deputada certamente já foi enganada por alguma pessoa, mas parece preferir que essa pessoa seja gay para que possa argumentar e fantasiar; a deputada faz parte daquilo que dá vergonha em ser brasileiro.

Excelentíssima deputada Myrian Rios: torço muito para que a senhora não quebre a cara sentindo na pele o que é ser discriminada e tratada como "coisa" por qualquer motivo que seja. O Jesus que a senhora diz representar certamente não aprova qualquer tipo de intolerância, mas também sabe perdoar. Sendo assim, em respeito aos milhões de cidadãos que a senhora representa (a mim inclusive), saiba reconhecer seu grave erro e peça as desculpas que merecemos.

Não é preciso ser homossexual para estar ofendido com tudo o que foi dito, deputada. É preciso apenas ter bom senso e um bom coração.

22.6.11

O II Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas (#BlogProg) me revelou uma triste realidade.

Mesmo com o "aviso" do Paulo Henrique Amorim no Conversa Afiada, não imaginava que houvesse tanta perseguição aos blogueiros (principalmente àqueles que são pouco conhecidos nacionalmente ou que não trabalham também na mídia tradicional).

O caso do blogueiro do Paraná Esmael Morais era o mais grave até então. Seu blog foi censurado por mais de 70 dias e o autor condenado a pagar multa de mais de R$500.000.
Mas, infelizmente, o companheiro Esmael não está sozinho ao ser perseguido.

O número de empresas e pessoas que sentiram-se incomodadas e até "emocionalmente abaladas" pela atuação livre e democrática dos blogueiros é grande. Por isso há o interesse de listar estes nomes e divulgá-los, no intuito da opinião pública tomar conhecimento dos problemas e se mobilizar.

Este blog chamará a lista de Lista Senador Eduardo Azeredo de Inimigos da Blogosfera. Para quem não sabe, o senador é autor do projeto conhecido como AI-5 Digital, que cerceia a liberdade na rede e pune com força aqueles que praticarem "crimes" (na visão dele, claro).

Os participantes do #BlogProg mostraram interesse em ter acesso e divulgar os nomes e suas ações, mas isso ainda não foi feito.

Segue agora a lista, a ser atualizada.

LISTA SENADOR EDUARDO AZEREDO DE INIMIGOS DA BLOGOSFERA

Senador Eduardo Azeredo (PSDB), autor do projeto de lei conhecido como AI-5 Digital;

Governador Beto Richa (PSDB), que censurou o Blog do Esmael por 75 dias e cobra indenização de R$510.000;

Jornal Folha de São Paulo, que censurou o blog Falha de S. Paulo;

Daniel Dantas, que tem vários processos abertos (e outros perdidos) contra Paulo Henrique Amorim (PHA);

Gilmar Dantas, do STF, que também processa PHA.

A lista, infelizmente, vai crescer.

21.6.11

Novo Marco Regulatório e Plano Nacional de Banda Larga: sintetizando para entender do que precisamos.

Em países desenvolvidos como EUA e Inglaterra existem leis que impedem a criação de monopólios na área de comunicação ou propriedade cruzada (quando uma empresa ou pessoa é dono de jornais, revistas, TVs, portais de internet, etc). Além de existir, a lei é cumprida.

No Brasil, a situação é totalmente diferente. Exemplo: familiares ou laranjas são proprietários de emissoras de TV e rádio, controlados por políticos - o que já é proibido, mas não combatido.

O fato é que em nenhum país do mundo existe tamanha concentração dos meios de comunicação envolta por uma falsa capa democrática. Quando os que falam aos milhões de cidadãos são poucas famílias poderosas, não existe ambiente democrático de verdade. Daí surge a necessidade de um novo Marco Regulatório (um novo conjunto de leis) que reitere a busca por meios de comunicação mais democráticos e tenha punições e condições de combater com clareza aqueles que (há muito tempo) desrespeitam as leis previstas na Constituição de 1988.

E o que a banda larga e os blogs têm a ver com isso?

É na internet que diversos atores sociais ganham voz e podem encontrar espaço para serem informados sem parcialidade e manipulações. Em um mundo cada vez mais integrado através das tecnologias de comunicação, os blogs aparecem como alternativa aos telejornais, revistas, jornais e rádios de sempre - aqueles que são controlados por poucos.

O problema é que qualquer rede está sempre inacabada, sendo possível sua expansão. Embora a audiência dos blogs que tratem de assuntos importantes tenha crescido, como também cresceu o número de internautas, a maior parte do país não é coberta por um serviço de qualidade e barato.

Conclusão: tem muita notícia importante na rede, mas tem muito cidadão sem acesso a ela; pior: há uma série de fatos importantes acontecendo em todo o país, que passam em branco pela mídia tradicional (e concentrada) mas que poderiam ganhar o mundo se houvessem mais blogueiros independentes no país.

Não basta apenas desconcentrar os meios de comunicação do país. É preciso, com urgência, garantir que todo brasileiro tenha acesso a internet de alta velocidade, que funcione de verdade e seja barata. O Plano Nacional de Banda Larga proposto pela presidenta Dilma tem importantes ideias, mas que podem se perder caso as empresas de telecomunicações do Brasil - que são privadas - assumam a responsabilidade de expansão da banda larga.

Sem banda larga, não temos informação democrática de verdade. E sem informação de verdade não temos justiça social.

Em meio a tragédia, o cheiro de sujeira paira no ar.

O Globo, 20/06/2011.
Carla Rocha, Elenilce Bottari e Fábio Vasconcellos


Três dias depois do acidente de helicóptero que caiu em Porto Seguro, matando seis pessoas (uma vítima ainda está desaparecida), o estado quebrou o silêncio e informou na segunda-feira que o governador Sérgio Cabral viajou para o Sul da Bahia num jatinho do empresário Eike Batista, em companhia de Fernando Cavendish, dono da Delta Construções. A empresa é uma das maiores prestadoras de serviço do estado e recebeu, desde 2007, contratos que chegam a R$ 1 bilhão. Além disso, também foi informado que Cabral se dirigia com o grupo para o aniversário de Cavendish num resort, onde ficaria hospedado, mas o acidente com a aeronave interrompeu os planos. Na segunda-feira, o governador se licenciou do cargo, alegando razões particulares.

Cabral, ainda segundo o governo, embarcou no Aeroporto Santos Dumont às 17h de sexta-feira no jato Legacy de Eike. Estavam a bordo o governador, seu filho Marco Antonio e a namorada do rapaz, além de Cavendish e sua família. Após o pouso em Porto Seguro, parte do grupo embarcou no helicóptero para fazer a primeira viagem até o Jacumã Ocean Resort, de propriedade do piloto, Marcelo Mattoso de Almeida - um ex-doleiro acusado de fraude cambial há 15 anos e de crime ambiental de sua empresa, a First Class, na Praia do Iguaçu, na Ilha Grande, em Angra dos Reis. A decolagem foi às 18h31m, mas a aeronave desapareceu no mar. A última visualização de radar do helicóptero ocorreu às 18h57m. Cabral, seu filho Marco Antonio e Cavendish iriam na segunda viagem, rumo a Jacumã. A volta do governador ao Rio, na segunda-feira de manhã, foi num jatinho da Líder, pago pelo governo do estado.

Além de Cavendish, Eike mantém estreitas relações com o estado e com o governador. O megaempresário doou R$ 750 mil para a campanha de Cabral em 2010. Eike se comprometeu ainda a investir R$ 40 milhões no projeto das UPPs, a menina dos olhos da segurança do Rio.

Desta vez, a participação de Eike, ao oferecer o passeio até Porto Seguro, não tinha relação com projetos públicos. O motivo da viagem era o aniversário de Cavendish, comemorado sexta-feira. Os laços do empresário e da Delta com o estado foram se estreitando nos últimos anos. Se é o "príncipe do PAC" por conta do expressivo número de obras do programa federal que estão na carteira de sua empresa, Cavendish é o rei do Rio, se for considerada a generosa fatia do bolo de recursos do estado que recebeu nos últimos anos ou está prestes a abocanhar, por obras como a reforma do Maracanã ou do Arco Rodoviário, ambas estimadas em R$ 1 bilhão cada. Em 2007, no primeiro ano do governo Cabral, a Delta teve empenhos (recursos reservados para pagamento) no valor total de R$ 67,2 milhões. No ano passado, o número deu um salto de 655%, para R$ 506 milhões.

Nascida em Recife, a Delta ganhou impulso, no Rio, no governo Anthony Garotinho. Hoje ocupa posição de destaque na execução orçamentária de Cabral. Apenas em rubricas com grande concentração de obras, as cifras se agigantam: o DER empenhou em favor da empresa, no ano passado, R$ 40,1 milhões, e a Secretaria estadual de Obras, R$ 67,9 milhões. Os dados do Sistema Integrado de Administração Financeira do estado (Siafem) foram levantados pelo gabinete do deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB).

- Os números falam por si. O faturamento da Delta no estado é crescente e nítido - diz o deputado, ao comentar a estreita relação entre o dono da Delta e o governo do estado que vazou com o acidente de helicóptero e já repercute na Alerj.
- Após o momento doloroso, é hora de o governador dar explicações - criticou o deputado Marcelo Freixo (PSOL). - Não fica bem ele aparecer em festinhas de empreiteiros.

Quando se consideram os valores efetivamente pagos, a posição de vantagem da Delta não muda. No ano passado, somente a Secretaria de Obras pagou R$ 91 milhões à empresa, que ficou em terceiro lugar na lista das que mais receberam da pasta, que tinha orçamento de R$ 1,1 bilhão para obras e reparos. Em primeiro lugar, com 25%, ficou o Consórcio Rio Melhor (PAC nas favelas), com R$ 269 milhões. Detalhe: a Delta faz parte do consórcio com Odebrecht e OAS. Outro exemplo do longo braço da Delta é o DER. Em 2010, na rubrica obras, o órgão tinha R$ 283 milhões e pagou 30%, ou R$ 81 milhões, à Delta, que ficou com o maior pedaço do bolo.

Em maio, após romper com Cavendish, o dono de uma outra empresa da área de 
construção, Romênio Marcelino Machado, afirmou à "Veja" que a Delta havia contratado José Dirceu para tráfico de influência junto a líderes petistas. Segundo a revista, Cavendish, em reunião com sócios em 2009, teria dito que, "com alguns milhões, era possível comprar um senador".

A Delta não se pronunciou e a assessoria de Eike informou que ele só se manifestará nesta terça-feira.

20.6.11

Pós-BlogProg

Chegando agora de Brasília, depois do excelente II Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas.

Lula, o ministro Paulo Bernardo, a deputada Luiza Erundina, parte da equipe da campanha na rede do recém-eleito presidente do Peru Ollanta Humala, blogueiros como Paulo Henrique Amorim e Rodrigo Vianna e vários outros blogueiros que, espalhados pelo Brasil, buscam mais democracia e verdade nos meios de comunicação. Foram cerca de 350 participantes, ligados o tempo todo em seus telefones ou computadores portáteis.

O novo marco regulatório dos meios de comunicação do Brasil é urgente. O projeto precisa chegar ao Senado e à Câmara e logo ser votado.

Urgente também é a expansão do serviço de banda larga pelo país, com preço que possa agregar ainda mais internautas e consequentemente mais blogueiros - progressistas ou não.

A expectativa é grande. Em setembro, encontro em Foz e com blogueiros do mundo todo; em maio de 2012, em Salvador, o terceiro encontro nacional.

Infelizmente fiquei surpreso com o fato de muitos blogueiros em todo o país sofrerem perseguições e serem constantemente intimidados com processos judiciais. É o caso de Esmael Morais, do super irreverente Falha de São Paulo e do baiano Emilio Gusmão.

O caso de Esmael pareceu-me o mais grave. Depois de investigar e denunciar graves irregularidades do então prefeito de Curitiba, depois candidato e agora governador do Paraná Beto Richa (PSDB), o blogueiro foi censurado e condenado a pagar uma multa de R$510.000. O companheiro Esmael fez uma ponderação importante: Serra e Dilma, então candidatos receberam juntos multas que não chegam a R$200.000.

A blogosfera cresce e com ela o movimento perigoso de personalidades ou empresas poderosos no Brasil. A união é mais do que necessária.

13.6.11

2º BlogProg



Hoje confirmei minha inscrição no II Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que vai acontecer nos dias 17, 18 e 19 de junho.

Essa é mais uma grande iniciativa da sociedade em busca de avanços importantes na comunicação do Brasil. Entre eles é impossível não citar um novo marco regulatório para os meios de comunicação e uma real ampliação da rede de banda larga no nosso país.

No Brasil, ao contrário do que acontece em outros países, as revistas e jornais têm que ser imparciais durante o período eleitoral, por exemplo. Isso não é praticado, mas o discurso é repetido com frequência. Conclusão: o leitor e telespectador têm a falsa impressão da imparcialidade.

Quando partidos e até pessoas públicas voltam-se contra matérias tendenciosas, mentirosas ou mesmos inconclusivas são tachados de "anti-democráticos".

Em nenhuma democracia séria do mundo - como diz Paulo Henrique Amorim - os direitos básicos democráticos são colocados em xeque a depender do beneficiado.

No Brasil, apenas aqueles que concordam com o que mostram e falam os veículos do PiG (o Partido da imprensa Golpista, outra do Paulo Henrique Amorim) têm o direito de terem sua opinião respeitada, sem perseguição.

A Presidenta Dilma apanhou da mídia durante a campanha. Apanhou muito. Desde a falsa ficha criminal da Folha de São Paulo, passando pela capa da "Veja" que dizia que o Brasil pós-Lula tinha a cara de Serra como você pode ver aqui até o rolo de fita adesiva que valeu uma tomografia. Isso só pra citar alguns tristes casos.

Isso seria motivo suficiente para que a presidenta resolvesse brigar firme por um novo marco regulatório da mídia brasileira, sem medo de parecer revanche, mas o PiG já mostrou seu poder em muito pouco tempo de governo e é aí que os militantes virtuais ganham importância.

Quando o Orkut era uma das poucas redes sociais a atingir muitos brasileiros, era comum eu estar em uma comunidade ou outra debatendo as mais diversas questões da politicagem brasileira. Eu tinha um pouco de vergonha de militar pela internet e sentia falta de ir para as ruas.

Mal sabia que o mundo mudaria tanto em tão pouco tempo. A militância virtual foi decisiva nas eleições de 2010 e ganha parte do orgulho na vitória de Dilma.

E agora chegou a vez de mostrar a força sem que seja em contadores de blog. Chegou a hora de afinar o discurso e objetivar o que alcançar. Tudo isso com dias e lugares marcados: de 17 a 19 de junho, em Brasília.

Mídia podre Ltda.

Representar o interesse de algumas elites brasileiras sempre foi uma possível definição da revista Época. Sua competência para valorizar ideias neoliberais não é novidade, como também não são recentes as campanhas que outros veículos de mídia das Organizações Globo têm sobre privatização, ausência do Estado entre outros assuntos.

Mas depois de colocar a presidenta Dilma de olhos fechados em uma capa que falava sobre os "gravíssimos" problemas de saúde dela (segundo a visão da própria revista, é claro), eles parecem terem ido mais longe. Dessa vez não desrespeitaram a figura pública de nenhum presidente; não indicaram previamente culpa de nenhum suspeito. Mas afirmaram, sem medo de esconder, que as privatizações são necessárias e coerentes.





Mais do que travar um debate pequeno entre privatizadores e defensores de um Estado poderoso, é preciso entender as ações estratégicas de qualquer governo e a importância que alguns serviços têm. Confesso que não li a reportagem nem tenho vontade de lê-la, embora saiba que seria importante para ter poder maior de argumentação. Entretanto, acredito que nela aparecem tabelas e gráficos que questionam os lucros e prejuízos das tais empresas públicas federais que deveriam ser privatizadas. Esse é o ponto.

Enquanto Estado, o governo brasileiro (ou até municipal) tem o dever de oferecer alguns serviços para a população, independente do lucro ou prejuízo que a empresa possa dar. Enquanto a revista certamente tem uma lista daquilo que "dá errado", é possível pegar apenas um (ótimo) exemplo daquilo que dá certo: a Petrobras. Ainda que a empresa de energia - uma das maiores do mundo - seja de capital misto, a participação importante do governo na mesma é indiscutível, como seus ganhos econômicos.

Entre exemplos, o importante é saber que como administradores públicos os homens desse país devem fazer uma simples reflexão e conta: redistribuir os lucros das "petrobas" espalhadas pelo Brasil entre aquelas empresas que não dão certo - e jamais devem ser privatizadas.

Mas, afinal, porque "jamais devem ser privatizadas"? Porque o interesse privado em empresas como Embraer, Vale do Rio Doce, CSN, dos Sistemas Eletrobras e Telebras - todas até aqui vendidas a preço de banana - é apenas um: o lucro. Nas mãos do Estado lutamos para que essas empresas sirvam aos brasileiros, independente do "lucro do último trimestre ter sido abaixo do esperavam os acionistas da Bovespa", como adoram falar alguns economistas chatos.

Essa é a questão: o papel das empresas públicas. Ser pública é a garantia de tê-las em função de todos os brasileiros.

31.5.11

Hoje fui até Niterói usando o serviço das Barcas S/A e fiquei surpreso com o que duas meninas entregavam a todos que passavam pelas catracas e entravam na estação Praça XV. Normalmente são entregues folhetos de supermercados e outras propagandas, mas dessa vez era uma carta assinada pela direção da empresa comunicando aos usuários que os trabalhadores estão no início do processo de greve.

Não especificaram as exigências dos funcionários, tampouco o que a empresa concessionária oferece na negociação. Apenas falaram da eminente greve.

A carta, que acabou sendo lida por todos os usuários que estavam esperando a embarcação seguinte, teve um tom "lavo minhas mãos" e de coação. Quando o movimento de greve chega aos usuários do serviço causando apenas transtorno, a causa acaba não ganhando apoio popular. Talvez seja esse o interesse da Barcas S/A.

O curioso é que em um passado recente a empresa conseguiu novamente autorização para não circular durante a madrugada.

A alternativa oferecida pela empresa - e acatada pela agência que regula os transportes públicos privatizados do Rio - é que os usuários caminhem até o terminal rodoviário da cidade (cerca de 500 metros) e peguem ônibus da linha 100, da mesma empresa que gere a Barcas S/A.

Sobre essa mudança, as longas filas no horário de rush e os constantes acidentes que causam transtornos aos usuários não foram distribuídas cartas esclarecedoras. A empresa prefere o silêncio, a defensiva.

O preço da passagem é de R$2,80 e representa um alto custo para a maioria dos usuários que precisam usar outros modais como metrô no Rio ou linhas de ônibus em Niterói, por exemplo.

17.5.11

Mês que vem vou participar do II Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que acontece em Brasília. O assunto é importante e vai ser discutido com aqueles que querem democracia nos meios de comunicação de verdade, e não apenas por quem acha que democracia só vale quando um lado decide se o outro vai falar.

O Brasil, mesmo que mude muito, ainda vai ter muitas questões sérias a resolver e a concessão a emissoras de TV e rádio é uma delas. Falar em liberdade de imprensa sem que a mesma imprensa se responsabilize por seus atos é outro ponto importante.

No país em que a grande mídia é conhecida como o quarto poder, pensar um novo marco regulatório para as comunicações é muito importante. Afinal, será que eles - os poderosos - gostam mesmo de liberdade?

Vale a pena assistir esse documentário produzido pelo coletivo Intervozes:


Intervozes - Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.

13.1.11

Voltei de Buenos Aires há alguns dias e agora veio a lembrança (e a vontade) de escrever aqui.

A cidade é muito bonita! Diferente do que eu conheço, com uma vibe totalmente diferente do Brasil... Não sei explicar direito, mas gostei muito de caminhar pelas ruas de Buenos Aires além de ver e falar com os portenhos. Voltaria fácil!

Fiquei lá 8 dias inteiros, conheci muitos lugares e ainda deixei algumas coisas para a próxima oportunidade.

Comer bem lá foi um pouco complicado porque não tivemos tempo nem boas dicas para procurar lugares baratos e bons. Gastei um bom dinheiro em restaurantes que, pelo menos, saíram muito mais em conta se fossem aqui no Rio. Fomos em um muito bom em Puerto Madero - onde só tem bons restaurantes - em que paguei mais de cem pesos (cerca de R$50) pelo almoço. Caro, mas nem tanto.

A visita ao estádio do Boca Juniors é muito foda!
A Floraris Generica também.
A Praça de San Martín rendeu muitas fotos depois de muita caminhada.
A feira de artesanato de San Telmo tem muita coisa boa e várias lojas de moda barata e estilosa.
As constantes manifestações no Obelisco dão uma invejinha do quanto eles são politizados.
A Plaza de Mayo onde fica a imponente Casa Rosada merecia muito tempo de visitação.

Enfim... Não dá e nem quero ficar aqui descrevendo tudo o que fiz em Buenos Aires porque são pareceres muito particulares. E não quero pagar de guia ou de intelectual.

Um dia escrevo melhor sobre a cidade aqui.
Fui dar uma olhada nas fotos de pontos turísticos listados no Google e me empolguei lembrando de tudo que eu vi e do que ficou pra próxima vez.

Tomara que seja logo!

23.12.10

A autonomia do ludibriado

Tô tentando escrever aquilo que penso sobre a chegada das forças policiais no Complexo do Alemão e, principalmente, sobre o que os "intelectuais" pensam.

Longe de mim fazer julgamentos apenas por fazê-los, mas vamos a alguns ideia iniciais.

Com relação ao fato (a ocupação) e as análises (dos "intelectuais"), vivemos da seguinte forma: a mídia e parte da sociedade apoia e os "entendidos de um assunto qualquer" reprovam a qualquer custo.

Não quero falar sobre o papel do Estado nem sobre corrupção policial. Isso é pouco, embora seja importante. O que me faz escrever essas linhas é constatar um enorme preconceito por parte daqueles que criticam a ocupação, colocando sob os moradores que apoiam a ação a triste conclusão de que "estão sendo enganados pela mídia!".

O intelectual pode ter o maior dos projetos sociais no Alemão, visitar a favela apenas para comprar drogas ou nada disso, mas não importa. Ele não sabe o que é, de fato, ser favelado e viver aquela realidade. E na minha opinião não tem total capacidade para avaliar ou criticar a chegada das forças policiais.

Concluir que os moradores são apenas ludibriados por reportagens na TV e nos jornais é desmerecimento total daqueles que moram ali e são, em enorme maioria, pessoas de bem como sabemos. O fato é que no Brasil não há espaço para ações bem-sucedidas, ainda que essas ocupações não sejam exatamente bem-sucedidas.

Não podemos viver de extremos: de um lado apoio total e de outro críticas a rodo. Que pensamento pequeno! Reafirmo: os moradores dessas comunidade tem que ter sua autonomia respeitada. Quem viveu sob o poder de facções criminosas sabe o que representa uma mudança nessa realidade, ainda que bem pequena.

Entre alguns desses intelectuais ainda persiste aquela antiguissima visão poética do traficante que não admite desrespeitos com a população da favela em que ele cresceu e ganhou poder.

Depois de horas de transmissão ao vivo das imagens das ocupações, avançamos pouco. E a culpa é daqueles que se intitulam "intelectualizados".

1.11.10



Alguém falou e a Veja acreditou.

A Veja acreditou e fez o Serra acreditar.

Como explicar, de maneira clara, que nem sempre a elite escreve a história?

Como a Veja e o PiG aceitarão que são os vencedores que escrevem a história e, nem sempre, eles são parte da vitória?

O Brasil pós-Lula não tem a cara de Serra.

A Veja e o PiG vão esconder, mas 56% dos votos válidos para uma "despreparada", "inexperiente", "sem carisma" e novata como Dilma não é pouco.

Foi uma vitória esmagadora.

Foi uma linda vitória.

Quanto ao Serra... "Uma vez calhorda, sempre calhorda" (PHA, do Conversa Afiada).

O Serra, você sabe, é o Homem sem Nenhum Caráter. E pode ser a próxima capa da Veja.

Completa um mandato?



O que essa dúvida sobre o tempo de governo de Dilma quer dizer?

A guerra já começou?
Tenho certeza que minhas próximas linhas serão menosprezadas por pessoas que, por sorte minha, as lerão.

Não quero pagar de visionário, mas não posso usar outras palavras nem fazer rodeios: que orgulho saber que Dilma foi eleita presidenta do Brasil! Que orgulho saber que vencemos após uma campanha suja, da qual nos vimos obrigados a fazer parte!

Quanto orgulho saber que, infelizmente, penso como poucos e não preciso de muitos motivos para mensurar que depois de Bachelet e Cristina K. a América Latina elegeu mais uma mulher para representá-la!

Dilma vai marcar a história brasileira não apenas por ser a primeira mulher a comandar o país mais importante da América Latina, embora a grande mídia desvalorize até isso. Essa mulher que foi eleita há poucas horas entrará para a história por sua competência e capacidade de surpreender os (já) incontáveis críticos.

Devo confessar: me apaixonei, sobretudo, pelo projeto político de Lula, representado por Dilma; depois Dilma acabou ganhando minha admiração. O divisor de águas foi ver quadros históricos do PT levantando a bandeira e colocando o broche da estrela vermelha no peito novamente, em apoio a ela.

Não admito que Dilma seja qualificada apenas como a "menos pior" e sinto pena dos que acreditam nisso. É questão de tempo e ela vai provar isso.

Dilma não tem (ainda) a mesma desenvoltura de Lula para falar com militantes ou jornalistas e causar impacto. Aliás - agora sim pagando de visionário - nem sei se seu papel é somente esse.

Dilma sabe bem o que faz e vai surpreender muita gente. Vai fazer mais do que esperam os críticos, os tucanos, os gabeiras, as marinas e os petistas. É questão de pouco tempo.

Dilma representa um avanço muito mais significativo do que alguns brasileiros podem entender nesse momento.

Enquanto escrevo, vejo uma matéria no site da Globo News (sim, eu assisto Globo) sobre o que pensam os búlgaros acerca de Dilma Rouseff. Quanta vergonha saber o quanto a mídia e alguns brasileiros são preconceituosos. Alguns búlgaros entrevistados demonstraram orgulho, sentimento que muitos brasileiros ainda não compartilham.

Mas eu sim - sendo visionário ou não.